Resenha | Doctor Who: Shada

Título: Doctor Who: Shada
Autor: Douglas Adams e Gareth Roberts
Editora: Suma de Letras 

Páginas: 352
Gênero: Ficção Científica

Ano: 2014
Adicione: Skoob
Onde comprar: Amazon | Saraiva | Submarino 

Sinopse: O seriado acompanha o Doutor: um viajante misterioso, vindo do planeta Gallifrey, movido pelo desejo de explorar todos os cantos do tempo e do espaço. Um dos Senhores do Tempo, o Doutor é capaz de se regenerar para escapar da morte, mudando de corpo, rosto e personalidade. Com seus companheiros, humanos e alienígenas, ele protege a Terra e o cosmos contra perigos de todos os tipos. Shada reconta um episódio que nunca foi transposto para as telas de televisão, uma aventura “perdida” de 1979. Escrita pelo então editor de roteiros da série, Douglas Adams, o autor de O guia do mochilerio das galáxias, Shada traz a quarta encarnação do Doutor e sua companheira Romana II.

Bem-vindos! Bem-vindos! É com muita empolgação e satisfação que apresento a resenha de hoje que será sobre o universo de Doctor Who escrito por ninguém mais e ninguém menos que Douglas Adams - por quem tenho um grande carinho e fascínio desde que li suas obras - Sem mais delongas o nome do livro é Shada um episódio "perdido" que foi editado e reescrito pelo escritor e fã da série Gareth Roberts.

Em Shada, o Doutor retratado é 4º Doutor na companhia de Romana II, e juntos vêm á terra a chamado do Professor Chronotis que precisa da ajuda deles para proteger um artefato de Gallifrey que corria sérios perigos. Mas como nada na vida do Doutor é fácil o livro acaba sendo levado emprestado pelo Professor para Chris, um recente Físico, e o Doutor embarca em busca do livro para protegê-lo.

Estou completamente extasiada e apaixonada pelo livro, foi tão agradável e divertida que a leitura voava na velocidade da luz, desmaterializei-me do mundo para embarcar nessa aventura! Shada com toda certeza tornou-se um dos meus livros favoritos, primeiro por ser um livro de ficção científica, segundo porque foi escrito por Douglas Adams, terceiro porque o livro é muito bem escrito e conduz com extrema excelência o leitor.


“Em primeiro e menos importante lugar, Clare não criaria caso por causa de um espectógrafo queimado. [...] Segundo, e mais importante, o livro era assombro.”


O livro é narrado em terceira pessoa, e nunca vi esse tipo de narração cair tão bem em livro - além do Hobbit e a série O Guia dos Mochileiros das Galáxias é claro - o autor explora de maneira magnífica e complacente as personalidades dos personagens, impossível você não saber ao final da leitura o modo de agir e sentimentos de cada personagem. O 4º Doutor é tão divertido quanto os outros - para quem assiste a série sabe como cada Doutor é - mas ele tem um diferencial, ele é engraçado de uma maneira cativante e sarcástica, além de ser fofo e ter um jeito "maravilhoso".

“- Que belo grupo você juntou aqui, Skagra. Não dou muita coisa por esses aí. Parecem mais pra lá do que pra cá. Sempre achei que é melhor uma boa mistura de gente do mal com gente do bem na lista de convidados. - E apontou o Comandante Kraag com cabeça. - É melhor você ter uma conversinha com o segurança da festa lá fora. E então, ninguém me oferece um salgadinho?”


As tiradas e sacadas que o livro tem são impressionantes, são essas e outras divertidas frases que têm ao decorrer do livro do Doutor. São tantas situações tensas e que parecem que não poderão em momento algum ser possíveis de solucionar, e você acaba ficando apreensivo e ansioso para saber como o Doutor irá escapar, porque ele é tão imprevisível, mas ao mesmo tempo inteligente, a cada página de forma randômica o grupo do Doutor foge do perigo.

Mas não posso deixar de destacar os outros personagens também, têm a Romana que é também uma Senhora do Tempo e é muito calorosa e gentil, temos o atrapalhado e idiota Chris, a destemida e determinada Clare Keightley, amiga do Chris, o fofinho e fiel robô K-9 e o Professor Chronotis um velhinho simpático e encantador, e o sedutor vilão Skagra tão frio e insensível, que acaba sendo impossível odiá-lo, já que você acaba querendo conhecer o motivo psicológico de sua raiva e obsessão na entropia do Universo.

" Skagra sentiu um arrepio. Havia alguma coisa a respeito daquele Doutor que o irritava profundamente. Era tão desordeiro, tão bobo. Precisava de um corretivo. Pois Skagra iria varrer aquele sorrisinho imbecil e cheio de dentes daquela cara idiota para sempre... "

Mais um destaque - são tantas coisas extraordinárias que o livro tem que será impossível falar de todas - eu ri tanto a cada "Arrá" ou "Rá" que o Doutor pronunciava, por algum motivo todas essas vezes eram engraçadas porque ele descobria que a resposta estava na sua frente ou mostrava suas façanhas. Viajar no tempo nunca pareceu tão improvavelmente divertido.

A genialidade de randomizar as coisas de um jeito humorado só quem podia fazer com maestria é o Douglas, ele sabe como conduzir a história, colocar os suspenses e mistérios na hora certa e claro, envolver o humor, ele não apenas conta as aventuras, mas fazem parecer tão real e inteligente, não tem nada de absurdo no livro, só algumas palavras rebuscadas e teorias de Física que são explicadas.

“Após avisar Clare, de um jeito macabro e um tanto enigmático, de que uma pessoa de quem ela jamais teria ouvido falar poderia ser solta de uma prisão da qual ela jamais teria ouvido falar por outra pessoa de quem ela jamais teria ouvido falar [...]”

Gareth Roberts, fez um belo e árduo trabalho, ao final da leitura tem um Pósfacio escrito por ele, detalhando um pouco como foi a confecção do livro, e senti uma pontada de tristeza ao lembrar que Douglas não habita esse mundo para poder mostrar mais da sua genialidade e humor. Shada promete conquistar e convidar os leitores a conhecerem mais o Universo de Doctor Who e claro conhecer mais do trabalho dos autores.

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