Estava muito ansiosa pra assistir essa série documental e matar a minha curiosidade, devido ao alvoroço que teve no meu Facebook. Não pesquisei nada, nem li direito a sinopse, apenas fui com a curiosidade a mil e qual foi a minha surpresa quando vi que a série falaria sobre Osho.
Sempre vi os livros do Osho nas livrarias, mas nunca parei realmente para saber, achava até que eu não seria o público alvo dele, então quando descobriu que a Série Documental falava sobre ele fiquei surpresa, e quando comecei a série a experiência foi uma das melhores que já tive.
A série começa sendo relatada por várias pessoas que viveram com Bhagwan, vulgo Osho, e os que foram opostos a ele, e em todos os episódios temos essa narração intercalada, claro que os principais são os que estiveram ativos na vida de Bhagwan e lutaram até o fim pelo ideal do Guru.
Assim, conhecemos Sheela, Niren, Bhadra e Sunshine, a.k.a Sunny, seguidores da Rajneeshpuram, comunidade utópica criada por Bhagwan, de todos esses personagens o foco principal é a relação entre Sheela e Bhagwan, durante toda a série os “atores” falam diretamente ou indiretamente disso, de como foi a criação, como tornaram-se Rajneeshees e todo o percurso que causou a queda de Rajneeshpuram.
Desconhecia totalmente essa história, e a cada episódio fiquei mais fascinada e intrigada pelo documentário, o interessante é ver os dois lados da história, já que na série são mostrado constantemente os relatos dos residentes da cidade de Antelope e o seu ódio e desconforto que tiveram, ou ainda tem, com os Rajneeshees. Confesso que fiquei um pouco assustada e sem reação com os relatos desses residentes.
Sheela é uma pessoa verdadeiramente fascinante, posso dizer até mais que o Bhagwan, uma mulher forte, determinada e ousada, durante todo o documentário é notável o amor que tinha por Bhagwan e por tudo o que ele criou, de todas as pessoas que fizeram parte dessa comunidade com toda certeza Sheela era a que mais acreditava e lutava por ela e pela segurança de Bhagwan, desde a primeira criação desse ideal em Poona, Índia, até Rajneeshpuram, um rancho próximo da pequena cidade de Antelope, ambas localizadas no Condado de Wasco, Oregon. Seria difícil não querer saber sobre sua história ou ter qualquer conversa com ela, porque além de ser uma pessoa carismática e eloquente, tem o dom da oratória.
De todos os relatos, os que ficava mais atraída eram os de Sheela e Niren, esses dois conseguem contar os fatos com uma facilidade que conseguia sentir a intensidade e pureza em suas palavras, de todos os quatro esses dois são os que mais lutam para mostrar a verdade que foi deturpada pelas pessoas ao longo dos anos.
Fiquei bastante conectada com a história, é realmente emocionante acompanhar toda essa trajetória contada por pessoas que vivenciaram esse evento que se tornará histórico, pois o que Bhagwan criou é diferente de tudo o que já criaram, diferente de tudo o que era Jonestown, o que os Rajneeshees viveram por quatro anos foi uma experiência insuperável e libertadora.
Segundo Bhagwan em uma dos vídeos mostrados no documentário: “ Nós temos que desprogramar os EUA, da polícia desonesta, das religiões fanáticas, de todos os tipos de hipocrisias. Não é coincidência, que,de repente, viemos parar aqui, nós temos que fazer algo ótimo pelo bem da humanidade." O guru indiano queria que as pessoas fossem livres, que se livrassem do condicionamento, das restrições, como as religiões faziam e fazem, que abrissem sua própria energia, entendimento e próprio aprendizado.
Bhagwan não se considerava um líder, não acreditava que tinha seguidores, acreditava que estava na Terra para libertar as pessoas, ele se considerava um espiritualista materialista, você podia viver o Rajneeshimo sem tantas restrições, pois o que importava estava não só na matéria, era algo mais espiritual, por isso percebe-se durante toda série documental o amor das pessoas em construir a comunidade, trabalhavam sorrindo e se divertindo, às pessoas não eram preguiçosas e não viviam apenas meditando, todos tinham algum papel e função na comunidade.
Em um dos depoimentos dado por Niren sobre o rancho disse: “ No rancho, eu tinha vivenciado ser amado e totalmente aceitado. Totalmente. Pela primeira vez na minha vida. Pode ter certeza, valeu a pena vivenciar isso.” É uma série de não só relatos sobre como criaram o Rajneeshimo, mas também de depoimentos lindos e emocionantes dessas pessoas que foram vivenciaram e estiveram na presença de Bhagwan, o poder que ele exercia nas pessoas é comovente e quase palpável.
A queda do rancho foi de fato triste e lamentável, fica bastante nítido que o desconhecido assusta as pessoas e esse medo transformou-se depois em raiva, consequentemente em violência contra os Rajneeshees, assistir esses momentos foram desoláveis, até no presente momento que escrevo sinto uma tristeza depois de tudo o que assisti, porque é doloroso perceber a capacidade temos de fazer o mal para o outro e de como somos bastante maleáveis e manipuláveis para acreditar em falácias, por isso acredito que o documentário não está ali somente para mostrar uma verdade, mas várias e também de nos fazer questionar sobre os fatos, os Rajneeshees não foram só vítimas, não é um documentário para mostrar que é a vítima, o herói e vilão, é para percebermos como somos influenciáveis e levados constantemente pelos sentimentos.
Osho e Ma Anand Sheela
O final do documentário é tocante, fiquei bastante emocionada com tudo que vi e ainda mais fascinada por Sheela, por toda a injustiça que passou depois do que aconteceu com Osho, é lamentável saber como foi o fim da relação entre Osho e Sheela, depois de todo os diversos conflitos que enfrentaram chegando a se tornar até um escândalo nacional o projeto/sonho que criaram, terminei com os olhos cheios de lágrimas e com os sentimentos em conflitos, já que ao mesmo tempo que estava triste pelo fim do rancho, fiquei feliz de ver o que Sheela fez e como lidou com tudo isso sendo uma pessoa incrível.
O final do documentário é tocante, fiquei bastante emocionada com tudo que vi e ainda mais fascinada por Sheela, por toda a injustiça que passou depois do que aconteceu com Osho, é lamentável saber como foi o fim da relação entre Osho e Sheela, depois de todo os diversos conflitos que enfrentaram chegando a se tornar até um escândalo nacional o projeto/sonho que criaram, terminei com os olhos cheios de lágrimas e com os sentimentos em conflitos, já que ao mesmo tempo que estava triste pelo fim do rancho, fiquei feliz de ver o que Sheela fez e como lidou com tudo isso sendo uma pessoa incrível.
A Netflix tem feito inúmeros documentários fantásticos e espero que continuem fazendo muitos outros, claro que já tem outros originais que estão na listinha para assistir, assim deixo uma forte indicação para que assistam Wild Wild Country.
Por Thaís Marinho
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