Crítica | Cargo



Estava procurando filmes sobre zumbis na Netflix, depois de ver o rebuliço com o filme Próxima Parada: Apocalipse e deparo-me com o filme Cargo e ninguém menos estava no elenco que Martin Freeman, e eu claro fui assistir imediatamente o filme, porque eu adoro fortemente esse ator, e para a minha surpresa o filme superou todas as minhas expectativas. Além disso, mais um motivo para conferir é que o filme é baseado no curta, de nome homônimo,viral finalista do Tropfest Australia 2013.

Em meio a um apocalipse zumbi na Austrália, um pai desesperado busca alguém disposto a proteger sua filha pequena.

Essa foi exatamente a sinopse que li na Netflix, então não sabia praticamente nada do filme, e minha maior curiosidade foi: Por que este pai está tão desesperado em conseguir alguém que proteja sua filha senão ele? Bem, algumas sinopses que li depois de ter assistido o filme, respondem a pergunta, mas no meu caso foi totalmente uma surpresa tudo o que aconteceu.

Andy, Martin Freeman, mora com sua esposa e filha em uma casa de barco, uma escolha totalmente aceitável e cabível dadas as circunstâncias, para se protegerem dos zumbis, no entanto às preocupações começam a aparecer e precisam buscar novos mantimentos ou formas de racionamentos, e por um infortúnio alguns eventos acontecem e Andy, vê-se lutando contra o tempo, e nessa busca por um lugar seguro para sua filha conhece uma jovem indígena.

Num primeiro momento os dois não se dão muito bem, mas pela forças dos eventos, os dois acabam se encontrando de uma forma inesperada e até cruel, nesse meio tempo Andy conhece Vic, o único vilão do filme, um homem branco que está racionando gás para no futuro, quando a epidemia acabar, ser um dos poucos homens comerciantes e distribuidores de gás, e ainda para diversão caça pessoas de uma tribo aborígene para usar como iscas de zumbi com o intuito de roubar os pertences dos mortos.



Esse é basicamente o ambiente do filme, o que realmente me surpreendeu no filme é que “ o menos é mais”, a história já começa com a epidemia acontecendo, o que explica de Andy e sua família morar numa casa de barco e de achar pelo rio caixas de emergências com mordaças, agulhas, folheto com instruções de como reagir  ao vírus e um relógio que faz a contagem de quanto tempo a pessoa tem antes de transformar-se em zumbi. O que leva a crer que o governo tentou conter a epidemia, mas foi falho e tenta remediar ou amenizar de alguma forma.
O filme não deixa margem para furos, ele é bem amarradinho, só não explica como a epidemia começou, mas isso acaba nem tendo importância, porque a problemática do filme vai muito além disso e é exatamente por isso que o filme torna-se impactante pela crítica social que faz, pois Vic é a representação do capitalismo e o tem feito com a humanidade, nem em pleno apocalipse o ser humano deixa de querer ganhar vantagem, fora o preconceito com a cultura ocidental.


Andy passa por todos os tipos de coisas que a humanidade seria capaz de fazer, em como por exemplo as pessoas reagiam quando eram infectadas, ou como tentavam se proteger, além disso conhecemos a cultura da tribo aborígene, que trata os zumbis de forma diferente e bastante honrosa, não é por menos que quando Andy conhece a jovem indígena Thoomi fica ao mesmo tempo fascinado e assustado com os costumes.  




Dessa forma, Andy junta-se com a menina para conseguir ter um abrigo enquanto seu tempo esgota-se, ao longo desse caminho nos é mostrado o amor familiar, como Andy tenta proteger sua família, sacrifica-se a todo custo para conseguir seu objetivo, e é isso que tornou-se o filme emocionante, porque Andy não só cria um laço forte com sua filha como também com Thoomi e passa a respeitar a menina.

É esse vínculo familiar, amor e respeito às diferenças que faz o diferencial do filme, não encontramos só mais um filme de apocalíptico, mas também uma crítica social em que através dos aborígenes percebemos como estamos aos poucos destruindo a natureza, o mundo e tudo que nos cerca sem perceber. Não há tantos momentos de violência, mas a todo momento cenas de esperanças e amor, porque acompanhar a jornada de Andy é bastante bela e comovente.


A cena final é o que desencadeou meu amor pelo filme, porque é realmente enternecedor, terminei o filme as lágrimas, como um simples gesto pode ser tão significativo,e desliguei a tv com uma sensação indescritível, ao mesmo tempo estava  emocionada, extasiada e feliz com tudo que aconteceu. Choca-me bastante em apesar do fim de todos os eventos, ainda tenha sentido uma sensação acolhedora, é realmente lindo o filme, pois assistir o esforço de um pai e sua amizade com uma aborígene foi umas coisas mais lindas que já vi. Não tinha ficado assim desde o filme Capitão Fantástico, o que achei estranhamente familiar, mesmo que ambos sejam de temáticas diferentes.


Martin Freeman foi primoroso em seu personagem, toda a caracterização e os sentimentos que transmitia são ímpares, com seu jeito único deu equilibrou bem na trama e em toda a dramaticidade, não é a toa que adoro bastante seu trabalho, porque oh ator pra me deixar emocionada em quase todos os seus filmes.


E é impressionante como a síntese do curta metragem, de apenas 7 minutos, foi bem desenvolvido num filme de mais ou menos uma hora e quarenta minutos, toda a essência do curta está no filme e como os outros detalhes só enriqueceram, foi uma verdadeira extensão que deu certo, porque eu já tinha amado a curta-metragem.

Diante de todo esse relato, eu recomendo bastante esse filme, porque é totalmente diferente, pelos motivos que citei, de tudo o que já vi e acredito que o público vá gostar bastante, pois eu amei e a Netflix mais uma vez está de parabéns pela produção.

Para quem não conhece o curta que deu origem ao filme:



                                                                                                    Por Thaís Marinho

Comentários