Resenha | Em Um Bosque Muito Escuro

Sinopse:
“Em um bosque muito escuro” é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Sophie Hannah e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.

-

Com o livro " Em Um Bosque Muito Escuro" Ruth Ware estreia sua carreira como autora da melhor forma. Meu primeiro contato com a mesma foi com A Mulher na Cabine 10 (que você pode ler a resenha clicando aqui), e como foi um livro muito bem construído e eletrizante de uma forma bem diferente de tudo o que eu já tinha visto no gênero suspense/thriller, criei uma senhora expectativa com seu primeiro sucesso que foi tão aclamado que está sendo adaptado para as telonas. 

No livro vamos conhecer Leonora, uma mulher com suas inseguranças e com alguns traumas que marcaram sua personalidade. Certo dia normal como qualquer outro ela abre sua caixa de e-mails e encontra um convite para uma despedida de solteiro de uma antiga colega de faculdade. Isso a assusta pois sua relação com a mesma era quase inexistente, mas mesmo assim ela vai procurar quem também foi convidado para a mesma despedida e encontra na lista uma pessoa que era mais próxima que a noiva, sua antiga amiga Nina. 

O convite era para algo totalmente fora do convencional, uma amiga da noiva estava organizando a despedida na casa de sua tia no alto de uma colina rodeado de um bosque. Um tanto macabro quando Leonora chega no local com Nina e se depara com uma casinha aconchegante no meio de uma floresta deserta, o tipo de lugar que se você gritar socorro será atoa porque não existem vizinhos. 

Daí em diante a autor vai no adicionando aos poucos mais informações sobre os personagens e com isso vemos momentos tensos que são introduzidos do futuro revelando que alguém do grupo foi assassinado. Bem numa narrativa estilo How to Get Away With Murder, e com esse tom a leitura se torna  cada página mais instigante. 

Particularmente achei que a autora pecou no desenvolvimento. Em A Mulher na Cabine 10, Ware vai desde o início ao final com um tom muito bem desenvolvido que além de te deixar sem fôlego por se tratar de um navio onde não se têm escapatória, a protagonista e sua confusão mental conseguem mexer com você. Leonora tem uma personalidade um tanto forte e para manter o bem do grupo ela engole alguns sapos e sua temperança é algo muito positivo do livro que compensa essa falta de ingredientes que nos faça engatar na leitura de vez.

Em contrapartida, achei o plot desse livro bem mais trabalhado em sua construção e ao que levou que tudo fosse arquitetado. A autora investiu também em personagens bem distintos que são bem trabalhados e observando tudo só nos fazem crescer mais dúvidas ainda sobre o dito assassinato. Ruth Ware com certeza é uma autora que merece mais reconhecimento e mais espaço no mercado literário, ela com certeza sabe criar uma história perturbadora e que te faça roer as unhas de angústia para descobrir quem é de fato o culpado e todo os os porquês.

Por Leonardo Alves 

Comentários