Resenha | Vulgo Grace

Sinopse: Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?

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Margaret Atwood nos leva para mais uma perturbadora história, dessa vez vamos para meados do século XIX conhecer a história de Grace Marks. Um uma sociedade culturalmente precária, veremos Grace narrar sua vida e tudo o que lhe causou chegar na atual circunstância. Acusada de assassinato dos seu patrão, ela passará dez anos presa cumprindo sua devida pena, mas após alguns anos um médico vai avaliar novamente a história de Grace, mas dessa vez com seu lado psicológico e chegar a um veredito final, se ela foi mesmo culpada de tudo ou apenas uma vítima da circunstância. 

Este foi meu segundo contato com uma obra de Margaret Atwood. Após ter lido O Conto da Aia e ter me apaixonado por todo o cenário criado pela mesma - você pode conferir a resenha clicando aqui - só cresceu minhas expectativas acerca de ler tudo o que a autora já publicou e finalmente tive a oportunidade de ler Vulgo Grace, que é uma história também bastante conhecida após ter sido adaptada em formato de série pela Netflix. 

Neste livro veremos novamente a história de uma mulher que sofreu nas mãos da sociedade machista (como infelizmente ainda é atualmente) e a autora ainda nos assimilando a nossa realidade, nos leva para um cenário completamente diferente. Grace é uma menina meiga e muito bonita sendo vista pela sociedade. De família pobre e tendo que lidar com um pai alcoólatra e seus irmãos ainda muito novos, ela vai buscar o sustento da família trabalhando como empregada doméstica. 

O destino a caba a levando para Toronto onde vemos que teve a sorte de encontrar um patrão muito gentil, em contrapartida sua governanta não tanto, mas Grace ainda assim é gentil e mesmo já tendo enfrentado diversos dilemas em sua vida ela acaba encarando mais um com naturalidade. E aí que veremos a vida de nossa jovem Grace mudar totalmente. 

Atwood tem seu formato de escrita um pouco diferente das que estamos acostumados atualmente, como as narrativas com falas destacadas por travessões e em sua escrita não se vê isso presente. Vulgo Grace teremos capítulos narrados por Grace e pelo Dr. Simon, o responsável por rever o passado da mesma em busca de uma justificativa. Nos capítulos de Simon veremos a escrita "normal" com a qual estamos acostumados, e ser jogado de volta no formato que Grace narra é um pouco cansativo em alguns momentos.
O livro possui uma premissa muito interessante, mas no conjunto da obra não foi algo muito marcante. Você reconhece que a história teve todo um trabalho, pois a mesma é baseada em uma história real, mas após a leitura não é aquele tipo de história que mexe com você e te deixa com um sentimento (como O Conto da Aia por exemplo). 

Tendo sua narrativa em primeira pessoa vemos ainda mais a cabeça de Grace e durante todo o livro temos a dúvida de se ela está sendo dissimulada consigo mesmo ou se está realmente dizendo a verdade, a trama nos faz questionar isso por boa parte e é algo que eu adorei no livro. Em contrapartida vemos Grace contar diversas histórias do seu passado e com toda uma riqueza em detalhes a leitura acaba se tornando muito cansativa. 

No geral, o livro contém uma boa construção e uma boa organização de ideias por parte de Margaret Atwood, no posfácio ela conta com mais detalhes sobre seu estudo no caso e alterações e etc, e mesmo a história tendo seus aspectos negativos fi bem produzida. Posso dizer que a história é boa, mas não é nada marcante, não faça como eu que foi lendo regado a  expectativas e principalmente tenha cabeça para uma história com uma forma de ser contada tão complexa. 



Por Leonardo Alves

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