Crítica | Bohemian Rhapsody

Vida longa a Rainha!

O filme Bohemian Rhapsody chega aos cinemas no dia 01 de novembro, e traz a história de vida de Freddie Mercury e sucesso meteórico da banda Queen.

Quando se é fã de uma banda, é sempre complicado separar o lado fã do lado crítico. Por isso, arduamente, essa resenha terá a minha visão crítica do filme e o meu deslumbramento por acompanhar a banda Queen há muitos anos.

Bohemian Rhapsody é um filme que teve sua produção iniciada há 9 anos atrás. Dadas as polêmicas envolvendo o filme, como troca de ator que iria interpretar Mercury, troca de diretor quase no final da produção, o filme é bem honesto,um típico filme documentário de bandas de rock.

O enredo conta a história de Farrokh Bulsara (nome verdadeiro de Freddie Mercury) e a trajetória da banda Queen. Da parte em que Freddie era uma pessoa anônima, para a parte em que a banda se torna um sucesso estrondoso acontece em um piscar de olhos. O que acompanhamos mesmo é a vida dele voltada para a banda, as criações das músicas e a sua tão conhecida excentricidade. Nada fora do que já era conhecido pelos fãs é dito, e isso talvez tenha deixado uma frustração aos que queriam saber mais sobre a vida de uma artista que conseguiu ser tão reservado, até mesmo depois de sua morte.

É abordado também a relação de Freddie com Mary Austin (Lucy Boynton), 
a pessoal com qual teve um relacionamento de anos antes de se assumir gay. Seu relacionamento com Jim Hutton (Aaron McCusker) com quem ficou até o seu falecimento, é abordado de forma sucinta.

Algo que ficou um pouco a desejar foi a forma como o filme começa num ritmo eletrizante, despejando muitas informações e, com isso, passando por cima de detalhes importantes como a sexualidade de Freddie e a relação conturbada com a família, que são vistos de forma muito superficiais. Um furo que qualquer fã do Queen pode notar foi a incoerência nas datas históricas. Um exemplo, é a cena em que Freddie conversa com Mary sobre a sua sexualidade, na tv passam cenas reais do primeiro Rock in Rio, na parte clássica em que ele canta a música "Love of my life", música composta para Mary. O enredo indicava que aquele era o ano de 1975, porém o show ocorreu 10 anos depois, em 1985.

O ponto de destaque do filme é a criação da música Bohemian Rhapsody. Foi interessante saber o processo criativo por trás de uma das canções mais enaltecidas no mundo da música. Todos os detalhes, todos os "Galileos" e "Mama Mias", toda a criatividade de uma banda que pensava além dos padrões. Outro destaque estava nos detalhes, a fotografia e os figurinos belíssimos que contribuíram para que facilmente nos transportassem para aquela época. Contudo, nada se compara a brilhante interpretação de Rami Malek (Mr. Robot) como Freddie Mercury. O ator passou longe do caricato e acertou em cheio na real essência de Freddie. Malek soube imitar muito bens os movimentos e trejeitos, e demonstrar toda a energia e magnetismo que Mercury tinha nos palcos. Ao meu ver, um forte candidato ao Oscar.

O filme inicia e se encera no importantíssimo show do Queen no Liv Aid, para o deleite dos fãs. São 3 músicas com o áudio original do show, onde mais uma vez Rami Malek pode se entregar ao personagem de forma tão absoluta, que te deixa absorto. Um detalhe interessante é que a cena final foi a primeira a ser gravada, e para mim é uma das melhores do filme. Isso comprova o comprometimento do ator com o personagem e o seu respeito pela memória de Freddie Mercury.

O convite é evidente: de fã para fã, de fã para não fã também, vale a pena a ida ao cinema para assistir Bohemian Rhapsody. Vejam, ouçam e reverenciem a realeza do rock.


Assista ao trailer:

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