Crítica | Bird Box


Em um mundo pós-apocalíptico, Malorie (Sandra Bullock) e seus filhos precisam chegar em um refúgio para escapar do Problema, criaturas que ao serem vistas fazem pessoas se tornarem extremamente violentas. De olhos vendados para não serem afetados, a família segue o curso de um rio para chegar à segurança.


Num futuro não tão distante, uma onda de suicídio começa a acontecer. Doença, vírus? Não! Ao que tudo indica esses casos ocorrem a partir do contato visual que as vítimas possuem com uma criatura misteriosa. Nesse cenário, um grupo de pessoas tentam sobreviver sem olhar o que anda pelas ruas da cidade. 

“Bird Box”, ou “Caixa de pássaros”, é novo filme original da Netflix, baseado no best-seller homônimo de Josh Malerman. Em foco temos a personagem Malorie (Sandra Bullock), uma mulher grávida, que está saindo do hospital quando um surto de loucura parece tomar conta das pessoas a sua volta. 

O filme se divide em dois pontos no tempo, em um é logo no começo dos eventos, com a personagem grávida buscando refúgios com desconhecidos e tentando sobreviver, e o outro é 5 anos após isso, com a personagem fugindo por um rio com duas crianças. 
Em partes, a divisão da narrativa funciona e nos motiva a tentar entender como ela chegou naquele ponto, mas contra isso, também acaba desestabilizando o enredo que se passa no passado, já que é possível calcular o que pode ter acontecido, e torna os personagens coadjuvantes, que já não estão em grandes números, esquecíveis.

A premissa do filme é de fato extremamente interessante, não poder usar um dos sentidos principais e ter que fugir de uma coisa é algo que realmente chama a atenção, o filme “Um lugar silencioso” é uma referência de qualidade nisso. E apesar das ideias parecidas, mudando apenas o órgão sensorial usado em cada uma, o roteiro de Bird Box não consegue entregar toda tensão em torno desse principal elemento, que é a perca da visão, em sua primeira fase temporal como “O lugar silencioso” usa brilhantemente a da privação sonora durante todo filme

Os personagens constantemente acham um jeito de driblar com soluções bobas - como o auxílio de um gps-  a limitação de não poder enxergar. E isso, tira um pouco a angústia do desafio de estar cego em meio ao caos. 

Mas não se desespere, porque o filme não é ruim e não acaba aí. Novos desafios surgem e a tensão aumenta. A segunda “fase” do filme, a que se passa no futuro, carrega toda tensão necessária para fazer você roer as unhas. A saga de acompanhar a Malorie atravessar um rio por dias, vendada, em busca de uma ajuda e um futuro mais consistente para as crianças é instigante e agoniante.

Sandra Bullock e a sua personagem Malorie são sem dúvidas o brilho do filme, a atriz consegue entregar uma protagonista real e bem construída. Ela era uma mulher incrédula, que não cria sequer na maternidade, contudo, 5 anos depois, com duas crianças para cuidar, em meio a um cenário de perigo, ela dá tudo de si para salvá-las e mantê-las em segurança. 

Malorie é uma mãe verdadeira, não faz mágica e nem sobe em árvores em um pulo, ela cai, se machuca, grita, corre e luta para conseguir que seus filhos sobrevivam. De tudo que é apresentado no filme, inclusive a premissa de estar às cegasnada consegue superar o drama que essa personagem mãe carrega, e esse drama é o melhor ponto do filme. 

Contudo é preciso deixar claro que "Bird Box" usa somente o suspense como pano de fundo, um Thriller Psicológico de tirar o fôlego, e como pano de fundo, sobressai o verdadeiro significado que é família, o longa é sobre família acima de tudo. Mesmo com pontos fracos e que necessitariam de uma melhor construção e o explorando pouquíssimos personagem que precisavam de mais, elevando somente Sandra Bullock ao pedestal o longa consegue deixar claro pra que veio, sendo uma ótima pedida para assistir com amigos, sozinho e em família nesse final de ano.

Gostou?
Então, confira!
O Longa já está disponível na Netflix



Por Edson Melo

Comentários

  1. Concordo com a crítica, dos filmes originais da Netflix com cunho futurista ou sci-fi, até agora foi o melhor, os anteriores, foram ruins..

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