Crítica | O Ódio que Você Semeia


“Pac disse que a Thug Life representava“ O ódio que você dá aos infantes fode a todos". VIDA DE BANDIDO. Significando o que a sociedade nos dá quando jovens, morde-os quando nos descontrolamos. Entendi? ”- The Hate U Give por Angie Thomas

A adaptação de O Ódio que você Semeia, veio para cutucar a ferida mesmo. No nosso país, onde o racismo é algo velado e institucionalizado, precisamos ouvir mais vozes como a da Starr. Torço para que a voz dessa personagem reverbere, pois precisamos de alguma esperança após tanto ódio ser propagado.

Sem dúvida uma das obras mais emocionantes lançadas na atualidade, a adaptação do livro homônimo de Angie Thomas, O Ódio que Você Semeia (The Hate You Give) conta a história de Starr Carter (Amandla Stenberg), uma jovem negra que mora com a sua família em Garden Heights, bairro tipicamente negro. Mesmo tendo Garden Heights como seu lar, a matriarca da família decide por os filhos em uma escola fora do bairro, dominantemente branca. Nessa escola, todos os seus movimentos são calculados, pois a última coisa que Starr que ser é taxada com os típicos esteriótipos dados as pessoas negras. Isso causa uma convergência na personalidade da protagonista por estar em contato com esses dois mundos, por isso ela se divide em duas Starr, a que estuda em Williamson e a que mora em Garden Heights. Ela acaba não se sentindo confortável em nenhum dos lados, e o seu ponto de equilíbrio é o seu namorado Chris (K.j. Apa) com quem consegue ser ela mesma.
 Essas duas personalidades serão postas em conflito quando Starr vê seu melhor amigo de infância Khalil (Algee Smith) morrer injustamente nas mãos de um policial. A partir desse momento, a protagonista caminha para uma estrada de autoconhecimento no seu lugar de mundo, e percebe a necessidade de usar a sua voz como arma contra ao racismo e as injustiças veladas pela sociedade.






Apesar de ser um filme mais juvenil, O Ódio que você Semeia é muito forte e verdadeiro. George Tillman Jr (Homens de Honra) conseguiu dar o tom necessário e conseguiu conduzir com maestria os momentos de raiva, revolta, medo, fazendo com que os telespectadores conseguissem sentir também. Com enquadramentos nos rostos dos personagens, o diretor conseguiu transmitir toda a tensão das cenas, como também dar destaque a diálogos poderosos dessa história. Tilman Jr e a roteirista Audrey Wells (falecida antes do lançamento do filme) se permitiram brincar com algumas referências atuais como Beyoncé, Taylor Swift e Harry Potter, mas sempre dosando com a realidade em referências a Tupac e os Panteras Negras. 

O destaque maior do filme se deve a Amandla Stenberg. A atriz que ficou conhecida ao interpretar a pequna Rue em Jogos Vorazes (2012), conseguiu passar aos espectadores todas as emoções de forma genuína. A forma que ela se destaca e cresce junto a sua personagem só comprovam que ela é um grande nome nessa geração. As cenas em que sua personagem compartilha com o pai Marveric (Russell Hornsby), são fortes e de impacto. A química que os dois possuem ao interpretar pai e fila é indiscutível. Russel Hornsby transmite a garra, a força necessária do seu personagem, e depois de Amandla, ele foi o que mais se destacou. 




A mensagem do filme é clara: precisa-se continuar gritando até que as vozes negras sejam ouvidas. Enquanto o negro for visto como ameaça, inocentes continuaram morrendo. É justamente essa relação com ódio, que eles exemplificam com a frase do Tupac no início do filme, que vai vir a tona no final do filme. É algo doloroso por ser muito próximo da nossa realidade. Por isso, e por todos os motivos citados anteriormente, o filme causa um impacto, impacto esse necessário nos dias de hoje.

O Ódio que Você Semeia estreia hoje, 06 de Dezembro, nos cinemas brasileiros. 




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