Resenha | Warcross



Sou muito fã dos livros da Marie Lu, então quando soube do lançamento desse livro, fiquei imediatamente ansiosa e louca para ler só pela premissa, então estejam preparados para muitos elogios sobre a obra.


Hacker. Jogadora. Caçadora. Essa é Emika Sato, é uma garota de 18 anos, que vive e trabalha no mundo da tecnologia, órfã e com a vida financeira difícil, a jovem em um ato de desespero acaba sendo descoberta por Hideo, o milionário e dono da Warcross, e viaja para o outro lado do mundo para tentar evitar um ataque no encerramento do jogo, no entanto Emika se envolverá demais tanto no mundo da tecnologia como no real, colocando sua vida em risco.



Assim é a história de Emika, durante todo o livro acompanhamos a história na visão da personagem, não sendo então possível prever eventos sem ser junto com ela, claro que alguns pontos conseguimos desconfiar e ser mais rápido, mas fora isso nossa guia é Emika, uma garota de personalidade forte, inteligente e uma heroína que facilmente ganha o coração dos leitores,


“ A morte tem o péssimo hábito de cortar todas as linhas cuidadosas que você desenhou entre seu presente e futuro.” (p.28)
Emi é uma caçadora e hacker então tem dificuldades de se encaixar e principalmente trabalhar em um grupo, ainda mais sendo de Warcross, onde terá que fazer de tudo para sobreviver e vencer se quiser concluir sua missão: descobrir quem, como e quando será o ataque ao campeonato.  A personagem tem uma vida cheia de cicatrizes, teve uma infância dolorosa e violenta, por ter perdido o pai, viveu em um orfanato sendo sempre maltratada e sem relação alguma de amor e afeto.


Os humano são surpreendentemente sensíveis. Meu pai indicou os dois desenhos  de novo com os dedos sujos de tinta. Você tem que aprender  a olhar para o todo de uma coisa, não só paras às partes. Relaxe os olhos. Examine a imagem inteira de uma vez.” (p.38)


O relacionamento da personagem com Hideo se desenvolve de uma forma divertida, pois ambos são pessoas com várias barreiras e escudos, enquanto Emi aprendeu a se virar sozinha depois que perdeu seu pai, Hideo ficou milionário muito cedo, nunca gostou da atenção, então sempre manteve a discrição. Então, pode esperar flertes divertidos entre os dois.  


No entanto, ao decorrer da leitura fica o questionamento: Quem é Hideo Tanaka? O ídolo e inspiração de Emi parece ser muito mais reservado e misterioso do que ela pensava, como se carregasse vários segredos e mistérios sobre seu passado, mas que ao mesmo tempo estava aos pouco baixando a guarda para a hacker.


“ Só é preciso enganar a plateia para que pense que é real. E advinha que pode fazer isso melhor? Seu cérebro.” (p.36)


As partidas de Warcross são emocionantes! são visualmente incríveis, sério, é de tirar o fôlego de qualquer um, porque a adrenalina que você sente é inenarrável, apenas lendo para sentir, ainda essa emoção  é despertada a cada jogada dada pelos jogadores. É muito interessante o funcionamento do universo, uma mistura de Quadribol, Jogos Vorazes, Jogador Nº1 e muitos outros de uma forma maravilhosa.  Os efeitos que o livro incita em nós é realmente incrível, me sinto fazendo parte de um mundo virtual dos jogos e a sensação é indescritível.


O plot twist, também conhecido como reviravolta ou clímax, do livro é surpreendente e ao mesmo tempo angustiante, do tipo que faz a gente sentar e ficar com o coração acelerado, de ler as páginas com voracidade e de maneira frenética em busca de novas respostas ou para saber como será o desenvolvimento do clímax.


Ao decorrer da história, fica bastante palpável e de comover, a forte ligação que Emi tinha com seu pai, por isso é constantemente mostrada de uma forma bela e delicada, porque o amor que a personagem sente pelo pai a mantém viva e também lhe dá coragem, quando ela fala ou lembra algumas cenas com ele é de emocionar e enternecer qualquer um . Sendo assim, fica impossível  não se emocionar e de não sentir a dor da perda que ela ainda sente pela morte repentina do pai.
Assim como em todo lugar ou universo, existe um mundo ou lugar que é perigoso, que no caso é o Dark World, um lugar sombrio que lembra muito a Deep Web,pelo menos pelo que contam dela. já que nunca visitei, e por esse motivo mesmo que fiquei impressionada com a riqueza de detalhes, o futurismo que Marie Lu criou que se eu não soubesse que fazia parte de um livro, diria que é mundo virtual que ainda não conseguimos alcançar e não é feita para todos.   
“Essa é a questão do Dark World: você pode se preparar o quanto quiser, mas o único jeito de entendê-lo de verdade é entrando.” (p.154)


Eu já deveria  ter me acostumado com os plot twists da Marie, mas ela sempre consegue se superar e me surpreender de uma forma enlouquecedora, porque quando penso que já consegui lidar com tantas reviravoltas aterradoras, acabo sendo feita de trouxa novamente, o que eu amo nos livros dela, porque olha, eu tenho que parabenizar pelo clímax que é de tirar o fôlego. É tiro, traição, ativação, mesmo que a gente soubesse que tal coisa fosse rolar, mas acabamos esquecendo ou não estamos devidamente preparados para o grand finale.     
Emika é uma personagem altruísta, mordaz, resiliente e totalmente inspiradora, sempre fico muito feliz com as personagens femininas da autora, e Emi é assim, uma personagem feminina que representa a força da mulher, que nos inspira. Cada livro que já li da autora, tive um personagem favorito certeiro e normalmente era o principal ou os principais, dessa vez a minha foi essa gamer, que têm uma representatividade bem grande, visto que as mulheres ainda sofrem bastante preconceito nos games.


“ – Tudo é ficção científica  até alguém tornar um fato científico - diz Hideo" (p.89)


Na verdade, representatividade é o nome que predomina neste livro e isso me enche de orgulho. A autora sempre consegue criar personagens tão cativantes e únicos que é impossível não se apegar a eles logo nas primeiras páginas em que aparecem, fico abismada e ao mesmo tempo encantada com o poder de criar personagens femininas tão fortes e admiráveis.


O que achei muito legal e super necessário, foi a inserção de personagens com deficiência física, de várias outras nacionalidades e diferenças, porque é isso que os jogos acabam fazendo: conectando as pessoas de diversas partes do mundo,sem que elas saiam de casa. A autora explora essa questão desse universo gamer  mostrando que não há só pontos negativos, há um mundo de possibilidades e de muita emoção.
Gostei bastante das explicações simples e objetivas  que Marie fazia sobre o funcionamento do jogo, há explicações sobre o programações e outras ferramentas da tecnologia que muitos só ouviram falar, mas nunca usaram. Eu mesma não sabia sobre muitos assuntos, mas fiquei encantada pela facilidade que entendi as coisas, e é por essas e outras que Marie Lu é uma escritora extraordinária.  


O livro também  faz algumas reflexões em como nos comportamos perante as tecnologias, nos tornamos reféns da internet, somos vulneráveis e dependentes dela, não dando o real valor a realidade, e essa história mostra que nem sempre a realidade virtual é um benefício, não vamos conseguir fugir de nossas dores, sofrimentos, senti-los é necessário, são os que nos tornam humanos.       


“ Passo pelas estantes, minha atenção indo de mesa em mesa. A maior parte das pessoas não observa os seus arredores; pergunte a qualquer um o que a pessoa sentada logo ao lado estava vestindo e há boas chances de não saberem responder. Mas eu sei.”  (p.16)


Com um final inesperado e extraordinário, de  deixar qualquer um de queixo caído, em que as peças finalmente se encaixam e tudo finalmente faz sentido com determinadas atitudes ocorridas no livro, a reviravolta final sempre esteve presente , mas era impossível de prever até os últimos capítulos, e aqui eu aplaudo entusiasticamente Marie Lu.


Recomendo demais esse livro, acredito que todos os que são fãs de um thriller eletrizante de ficção científica vão adorar a história, e para você que já leu algum livro da Marie Lu, saiba que neste ela mantém o mesmo nível de qualidade, por isso apenas digo uma coisa: Leiam esse livro e qualquer outro livro da Marie Lu.

A série é uma duologia, o segundo está sem previsão de lançamento no Brasil, mas acredito que ano que vem já deve ser lançado.

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