Se a Rua Beale Falasse foi um filme que me impactou de uma forma inesperada, porque saí da sala de cinema completamente abalada, e se você quer saber como confira abaixo:
Sinopse
Baseado no célebre romance de James Baldwin, o filme acompanha Tish (Kiki Layne), uma grávida do Harlem, que luta para livrar seu marido de uma acusação criminal injusta e de subtextos racistas a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê.
Antes do filme começar, o autor da história, James Baldwin, nos fala e também prepara brevemente sobre o que iremos assistir e pede ao “leitor” que esteja atento para a “batida” do filme já que a rua Beale é bastante barulhenta. Com um recado como esse, já temos uma breve ideia de como será conduzida a história.
O drama alterna o foco entre a busca de Tish de tirar Fonny da cadeia e como era a vida do casal antes da injusta prisão de Fonny. De uma forma bastante sensível a trama nos mostra como o casal se apaixonou de uma forma tão bela, rara e principalmente enternecedora. A troca temporal era tão bem feita que quando tínhamos acabado de ter um momento bem tenso, vinha uma cena totalmente tocante, acompanhada da trilha sonora, que nos fazia ficar ainda mais encantado pela história.
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| Divulgação Sony Pictures |
Sendo assim, acompanhar a luta de Tish para tirar Fonny da cadeia é muito desesperador e principalmente angustiante, porque por serem pessoas negras já sabemos que sofrerão preconceitos, mas os eventos que são mostrados é de deixar qualquer um frustrado e alarmado com tanta injustiça e preconceito e perceber como os dois reagem perante a isso é ainda mais devastador.
Aliás, a atuação da Kiki está impecável, podemos acompanhar o nascimento de uma grande estrela, pois a atriz deu tudo de si em seu papel, Tish é uma personagem forte, resistente e inesquecível, foi tão intensa e comovente sua atuação que achei que já tivesse visto a atriz em algum outro papel importante e de destaque, no entanto será esse filme que irá alavancar a atriz.
Os acontecimentos que são mostrados mesclados de preconceitos, injustiças, dores e sofrimentos nem são cenas tão fortes ou pesadas, mas a maneira como foi abordada e inserida no filme é que faz toda a diferença e deixa a história ainda mais tocante, e acredito que o diferencial do filme com outros que abordem essas questões de racismo seja como é abordado e pontuado os eventos.
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| Divulgação Sony Pictures |
Também preciso destacar o papel da família de Tish nessa trama, foi bastante emocionante ver todo o apoio e carinho que os pais e a irmã da jovem davam a ela, e também a disposição deles em ajudá-la a conseguir tirar Fonny da cadeia. A atuação dos atores em representar esse laço familiar foi muito bem interpretado e comovente.
Mas há momentos de alívio com os muitos diálogos engraçados, principalmente na cena em que Tish conta para a família de Fonny sobre a gravidez, com as piadas engraçadas de Fonny e as respostas nada educadas de Ernestine, irmã de Tish, sério, essa personagem também rouba a cena com seu jeito direto e sarcástico.
Tive que segurar várias vezes a emoção, e a música original do filme, Eden (Harlem), não ajudava muito para essa tarefa, Nicholas Britell compôs uma música bastante emotiva que combinou tão perfeitamente com o filme que deixou a história ainda mais bela.
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| Divulgação Sony Pictures |
O título “Se a Rua Beale Falasse” já nos entrega pistas de como seria a história, mas a reflexão que o drama proporciona é profundamente tocante e de deixar a gente sem palavras, apenas assimilando o que foi visto e nos deixa sentindo algo inexplicável, uma espécie de vazio e ao mesmo tempo um choque de realidade inesperado, porque mesmo antes do fim, já sabemos como será o desfecho da história.
Estamos tendo uma onda de filmes e séries que falam sobre consciência negra, este filme poderia ser só mais um nesse mar de histórias cheias de racismos e da luta das pessoas negras, no entanto Se a Rua Beale Falasse merece todo o reconhecimento pela maneira que construíram o romance de Baldwin, porque se a Rua Beale falasse e tantas outras pudessem falar não teríamos tantas injustiças.
Essa metáfora é tão poderosa que mesmo depois de sair da cabine de imprensa, fiquei o dia inteiro analisando e pensando sobre tudo o que o filme nos entrega e nos faz refletir, em como é tão doloroso ver que poucas coisas mudaram e que ainda é triste ver a persistência do racismo no mundo.
Sendo assim, palavras são insuficientes para descrever o que foi assistir esse drama, tendo uma produção e direção tão deslumbrantes que acho difícil que seja possível alguém sair da sala do cinema sem sentir abalado e sensibilizado com a história de Tish e Fonny.
Se a Rua Baele falasse chega aos cinemas dia 07 de fevereiro.




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