Título: Esta Terra Selvagem
Autor: Isabel Moustakas
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 120
Gênero: Romance Policial
Ano: 2016
Adicione: Skoob
Sinopse: Depois de presenciar a morte da testemunha ocular de um crime tenebroso, a vida do repórter João nunca mais foi a mesma. A jovem que assistiu à tortura e ao assassinato brutal dos pais, para depois ser abusada de todas as maneiras, deu fim à própria vida diante dele após relatar cada detalhe perturbador do que vivera.
A partir deste terrível episódio, o jornalista irá seguir todas as pistas que possam levá-lo a um possível grupo racista que vem cometendo as piores atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que eles considerem impuras. Mas a única pista que ele tem são os cadarços verde e amarelo que eles usam nos coturnos.
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Quando o jornalista João vai entrevistar uma das primeiras vítimas sobreviventes do grupo racista e homofóbico não imaginava que seria tão traumático e difícil exercer sua função e continuar com ela, cada detalhe perturbador e terrível que a jovem relatava sobre tudo o que passou nas mãos desse grupo, como foi assistir a morte de sua família, sobreviver ao cativeiro e as atrocidades que sofreu e finalmente como e porque a soltaram depois e após esse relato a adolescente comete suicídio em frente do jornalista, e João acaba entrando em uma missão perigosa e difícil: Encontrar esse grupo racista.
“ Um dos bombeiros falara comigo sobre o cheiro de carne queimada. “ A pior coisa que existe. Você não esquece nunca mais, cara. Nunca mais.” Cheiro de carne queimada. Carne humana. Ou a visão de uma garota de dezesseis anos, indescritivelmente brutalizada [...]. Você não esquece nunca mais, cara.
Nunca mais.”
Após o suicídio da jovem parece que desencadeou outras barbaridades e ataques a pessoas como gays, judeus, nordestinos e estrangeiros, a intolerância e ódio ficou maior e a desordem estava instaurada em São Paulo, a polícia não tinha pistas de onde vinha esse grupo e nem sobre o líder, além disso tinham que dá conta das inúmeras ocorrências que recebiam todos os dias. Uma falha que observamos infelizmente no nosso país, cada dia que chegamos em casa sã e salva é uma conquista, as notícias que encontramos nos jornais, redes sociais, nas ruas e outros meios chegam a ser em sua maioria assustadoras.
João consegue encontrar pistas que levam ao possível líder do grupo mas que infelizmente não pode ser preso ou capturado por não ter provas concretas e a polícia está sob investigação, de mãos atadas acaba sendo alvo de um propósito terrível que esses homens de coturnos planejam e além disso, a violência continua e muitos homens e mulheres são mortos ou espancados que não resistem quando chegam ao hospital. E como não ler essa desumanidade e não lembrar do que lemos nos jornais ou assistimos na Tv? Ou não sentir-se infeliz e com medo de alguém próximo sofrer essas truculências ou até nós mesmo?
“[...] A hora está chegando, a hora está chegando e a gente vai queimar tudo que é índio boliviano e paraíba e crioulo e viado, não vai sobrar um e depois disse que eu era, tipo, um aviso, sabe? “
A justificativa do grupo era que estavam purificando o mundo, os impuros segundo eles deveriam morrer e não atrapalhar ou sujar o nome do país, sentiam-se patriotas e estavam apenas cumprindo seu dever e faziam isso em nome do bem estar do Brasil, começando por São Paulo, estavam apenas começando um grande propósito. O líder ainda achava graça do que fazia, tinha enorme prazer e ainda usava o sarcasmo de uma forma repulsiva, não foi difícil imaginar como esse homem era.
As pistas e rastros que o jornalista encontrava o aproximava ainda mais do perigo e ser alvo do grupo, eu ficava com o coração acelerado nessa horas e quando ele presenciava novas brutalidades e agressões não conseguia ter dificuldade nenhuma de imaginar as cenas de crueldades, e cada detalhe que ele observava eu também conseguia ver, parecia tão real que se não soubesse que era fictício diria com facilidade que algumas dessas cenas de horror eram a nossa realidade. Algumas outras lembraram-me alguns episódios que assisti da série Hannibal e filmes de suspense/terror.
O enredo tem um ritmo muito frenético e acelerado, não explora psicologicamente sobre a vida dos personagens é mais focado no suspense e em como são as ações do grupo racista e homofóbico, do que o ser humano é capaz de fazer e o cenário de violência que presenciamos diariamente e até gostaria que tivesse até mais páginas, explorando mais os personagens e sobre esse grupo, como começaram e como conseguiram escapar ilesos, se tinham outras pessoas de poder ajudando-os, são inúmeras questões que ficam a critério do leitor imaginar e/ou adivinhar mas muitas delas consegue-se a resposta pela experiência e relatos que sabemos desse país.
Apesar de o livro ter poucas páginas, é carregado de uma intensidade absurda e que deixava cada página mais eletrizante que só consegui largar a história após finalizá-la, em poucas horas você consegue terminar, é aquele tipo de livro que lemos com tanta voracidade e terminamos com as últimas cenas ainda na cabeça, pensando nas possibilidades que poderiam ter sido diferentes e que a única diferença entre as atrocidades e violências da nossa realidade e a do livro é que lemos e imaginamos com detalhes macabros as cenas o que normalmente só ouvimos falar ou vemos as notícias e nada mais, somos poupados das minúcias.
A autora vai deixando pistas para o leitor desconfiar de pessoas que o personagem nem imaginava, e o jogo que fez para fazer o leitor desacreditar na verdade que passou foi uma bela sacada, prenunciava o final para o leitor e já o prepara para um final de extrema tensão e revelações. Gosto muito de livros que conseguem fazer essa proeza, deixa a leitura mais intrigante e às vezes revoltante. Quem nunca xingou o personagem traidor ou às cenas surpreendentes?
Outra questão curiosa é que não sabemos a identidade da autora, pois o nome é um pseudônimo e mesmo com as informações na orelha do livro fica esse mistério, sabemos apenas que é brasileira e nada mais. Se isso é uma jogada de marketing eu não sei mas que estou curiosa isso posso afirmar com certeza, quem sabe eu consiga conhecer a autora um dia?
A Companhia das Letras como sempre fez um belo trabalho, a capa do Christiano Menezes está incrível e reflete a ideia do livro, a revisão da Marina Nogueira e Valquíria Della Pozza ficaram excelente e a diagramação ficou confortável e adequada ao formato do livro.
Se você gosta de histórias rápidas e que faça uma reflexão sobre a nossa realidade, não pode perder a chance de conferir Esta Terra Selvagem.
Por Thaís Marinho
Autor: Isabel Moustakas
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 120
Gênero: Romance Policial
Ano: 2016
Adicione: Skoob
Onde comprar: Saraiva | Amazon | Livraria da Travessa
A partir deste terrível episódio, o jornalista irá seguir todas as pistas que possam levá-lo a um possível grupo racista que vem cometendo as piores atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que eles considerem impuras. Mas a única pista que ele tem são os cadarços verde e amarelo que eles usam nos coturnos.
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Quando o jornalista João vai entrevistar uma das primeiras vítimas sobreviventes do grupo racista e homofóbico não imaginava que seria tão traumático e difícil exercer sua função e continuar com ela, cada detalhe perturbador e terrível que a jovem relatava sobre tudo o que passou nas mãos desse grupo, como foi assistir a morte de sua família, sobreviver ao cativeiro e as atrocidades que sofreu e finalmente como e porque a soltaram depois e após esse relato a adolescente comete suicídio em frente do jornalista, e João acaba entrando em uma missão perigosa e difícil: Encontrar esse grupo racista.
“ Um dos bombeiros falara comigo sobre o cheiro de carne queimada. “ A pior coisa que existe. Você não esquece nunca mais, cara. Nunca mais.” Cheiro de carne queimada. Carne humana. Ou a visão de uma garota de dezesseis anos, indescritivelmente brutalizada [...]. Você não esquece nunca mais, cara.
Nunca mais.”
Após o suicídio da jovem parece que desencadeou outras barbaridades e ataques a pessoas como gays, judeus, nordestinos e estrangeiros, a intolerância e ódio ficou maior e a desordem estava instaurada em São Paulo, a polícia não tinha pistas de onde vinha esse grupo e nem sobre o líder, além disso tinham que dá conta das inúmeras ocorrências que recebiam todos os dias. Uma falha que observamos infelizmente no nosso país, cada dia que chegamos em casa sã e salva é uma conquista, as notícias que encontramos nos jornais, redes sociais, nas ruas e outros meios chegam a ser em sua maioria assustadoras.
João consegue encontrar pistas que levam ao possível líder do grupo mas que infelizmente não pode ser preso ou capturado por não ter provas concretas e a polícia está sob investigação, de mãos atadas acaba sendo alvo de um propósito terrível que esses homens de coturnos planejam e além disso, a violência continua e muitos homens e mulheres são mortos ou espancados que não resistem quando chegam ao hospital. E como não ler essa desumanidade e não lembrar do que lemos nos jornais ou assistimos na Tv? Ou não sentir-se infeliz e com medo de alguém próximo sofrer essas truculências ou até nós mesmo?
“[...] A hora está chegando, a hora está chegando e a gente vai queimar tudo que é índio boliviano e paraíba e crioulo e viado, não vai sobrar um e depois disse que eu era, tipo, um aviso, sabe? “
A justificativa do grupo era que estavam purificando o mundo, os impuros segundo eles deveriam morrer e não atrapalhar ou sujar o nome do país, sentiam-se patriotas e estavam apenas cumprindo seu dever e faziam isso em nome do bem estar do Brasil, começando por São Paulo, estavam apenas começando um grande propósito. O líder ainda achava graça do que fazia, tinha enorme prazer e ainda usava o sarcasmo de uma forma repulsiva, não foi difícil imaginar como esse homem era.
As pistas e rastros que o jornalista encontrava o aproximava ainda mais do perigo e ser alvo do grupo, eu ficava com o coração acelerado nessa horas e quando ele presenciava novas brutalidades e agressões não conseguia ter dificuldade nenhuma de imaginar as cenas de crueldades, e cada detalhe que ele observava eu também conseguia ver, parecia tão real que se não soubesse que era fictício diria com facilidade que algumas dessas cenas de horror eram a nossa realidade. Algumas outras lembraram-me alguns episódios que assisti da série Hannibal e filmes de suspense/terror.
O enredo tem um ritmo muito frenético e acelerado, não explora psicologicamente sobre a vida dos personagens é mais focado no suspense e em como são as ações do grupo racista e homofóbico, do que o ser humano é capaz de fazer e o cenário de violência que presenciamos diariamente e até gostaria que tivesse até mais páginas, explorando mais os personagens e sobre esse grupo, como começaram e como conseguiram escapar ilesos, se tinham outras pessoas de poder ajudando-os, são inúmeras questões que ficam a critério do leitor imaginar e/ou adivinhar mas muitas delas consegue-se a resposta pela experiência e relatos que sabemos desse país.
Apesar de o livro ter poucas páginas, é carregado de uma intensidade absurda e que deixava cada página mais eletrizante que só consegui largar a história após finalizá-la, em poucas horas você consegue terminar, é aquele tipo de livro que lemos com tanta voracidade e terminamos com as últimas cenas ainda na cabeça, pensando nas possibilidades que poderiam ter sido diferentes e que a única diferença entre as atrocidades e violências da nossa realidade e a do livro é que lemos e imaginamos com detalhes macabros as cenas o que normalmente só ouvimos falar ou vemos as notícias e nada mais, somos poupados das minúcias.
A autora vai deixando pistas para o leitor desconfiar de pessoas que o personagem nem imaginava, e o jogo que fez para fazer o leitor desacreditar na verdade que passou foi uma bela sacada, prenunciava o final para o leitor e já o prepara para um final de extrema tensão e revelações. Gosto muito de livros que conseguem fazer essa proeza, deixa a leitura mais intrigante e às vezes revoltante. Quem nunca xingou o personagem traidor ou às cenas surpreendentes?
Outra questão curiosa é que não sabemos a identidade da autora, pois o nome é um pseudônimo e mesmo com as informações na orelha do livro fica esse mistério, sabemos apenas que é brasileira e nada mais. Se isso é uma jogada de marketing eu não sei mas que estou curiosa isso posso afirmar com certeza, quem sabe eu consiga conhecer a autora um dia?
A Companhia das Letras como sempre fez um belo trabalho, a capa do Christiano Menezes está incrível e reflete a ideia do livro, a revisão da Marina Nogueira e Valquíria Della Pozza ficaram excelente e a diagramação ficou confortável e adequada ao formato do livro.
Se você gosta de histórias rápidas e que faça uma reflexão sobre a nossa realidade, não pode perder a chance de conferir Esta Terra Selvagem.
Por Thaís Marinho

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