Depois de longos anos, The OA ganhou oficialmente sua sequência hoje (22/03) na Netflix. A Parte II, como foi chamada pelos próprios produtores, funciona como continuação, mas ao mesmo tempo acrescenta novas (e as vezes mirabolantes) informações.
Acompanhando Karim Washington, um detetive particular, o primeiro e grande arco da temporada é em torno do sumiço misterioso de uma jovem. Mas o que parece ser um evento solto nos primeiros minutos de episódio, logo se mostra um elo importante com a estranha e complexa concepção da série sobre mundos paralelos e universos interdimensionais.
O primeiro erro em assistir The AO é tentar entender racionalmente a narrativa que está sendo contada, ela não é científica e nem religiosa, é transcendental. A série é uma mistura de um complexo aglomerado de elementos que são frutos das mentes de Brit Marling e Zal Batmanglij, e, creio eu, que apenas eles conseguem entender o que é posto de forma íntegra.
Enquanto o primeiro ano brincou com o telespectador em torno de acreditar ou não na protagonista, o novo ano deixa a incredulidade de lado, imergido o telespectador dentro de uma máquina de lavar e deixando ele se afogar lá dentro. É uma temporada de respostas, mas nem todas vêm de maneira meticulosamente explicadas. A trama é construída de uma forma clara e confusa ao mesmo tempo, você é guiado, entende para onde estão te guiado, mas termina sem entender completamente o caminho pelo qual passou.
O final é surpreendente, arrisco dizer que é ainda mais instigante que o da primeira parte, explicitando a genialidade dos produtores em entregarem um produto final que te deixa em êxtase, mesmo que sua narrativa seja entrelaçada por caminhos tortos que confundam o telespectador.
Assistir The OA é despir-se de um pensamento racional, comprando o que está sendo contado, da maneira que está sendo contada e não esperando uma linearidade. É um paradoxo, mas é isso que torna The OA um produto interessante e diferenciado. Eu queria elaborar uma crítica clara sobre o que assisti, mas constato que não é possível. Porque The OA não pode ser explicada, ela precisa ser assistida; é um fenômeno que não pode ser inteiramente compreendido, mas é uma experiência que precisa ser sentida.
Trailer:
Por Edson Melo

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