Se na primeira temporada fomos apresentados ao "câncer" presente no Brasil mediante a corrupção, agora temos a demonstração dos sintomas dessa doença e como todos são contaminados.
Segunda temporada lançada, episódios assistidos e finalmente posso falar que a sensação que eu tive foi de que o ideal da série foi construído através do "Demos a cara a tapa e não ligamos pra onde vai respingar."
Usar na abertura a música Reunião de Bacanas com políticos famosos e a célebre frase "se gritar pega ladrão, não fica um meu Irmão" trouxe o gatilho de realidade que aparentemente ficou faltando na temporada passada, não basta narrar os fatos baseados em um livro, é preciso sim dar um pouco mais a cara pra bater.
A questão de escolhas também é muito importante é ressaltada na construção de todos os personagens (mocinhos ou vilões) e o limite (ou falta dele) para obter um resultado, nos faz refletir se o preto e branco é tão construído a ponto de você realmente tomar atitudes erradas para conseguir alcançar o seu objetivo.
No núcleo da Polícia Federal essas atitudes erradas para o fim certo estão presentes desde o desfecho da temporada 1 com a denúncia da delegada Verena para a corregedoria como Agora no decorrer desse processo.
E Selton Mello? Como o nosso narrador sussurtante retorna?
Acho que o personagem Marco Ruffo teve muita carga emocional abordada de forma rasa, essa questão de vingança, de loucura por destruir um homem (90% das ações do personagem são movidas ao ódio por seu desafeto) acabam resultando no total isolamento do personagem, que está no grupo e ao mesmo tempo não está. Essa postura de justiceiro afeta todos os núcleos e acaba rendendo acontecimentos desnecessários, apenas para ensinar a Ruffo que cada ação tem uma reação.
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| Reprodução netflix |
Alvo de muitas críticas ano passado,
Padilha teve alguns pontos de confrontar esses haters em discursos como no monólogo de abertura, esclarecendo que a busca de seu anti herói (Papel de Selton Mello) não se trata de uma derrocada de esquerda ou de direita, mas sim de uma tentativa de enquadrar o maior esquema de corrupção já visto e claro concretizar a derrubada do personagem Ibrahim.
A 2ª temporada de “O Mecanismo” já está disponível na Netflix.
Por Jaqueline Ribeiro
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