Crítica | Olhos que condenam



Sinopse: Baseado em uma história real que tomou conta dos Estados Unidos, Olhos que Condenam narra o caso notório de cinco jovens negros, rotulados como os Central Park Five, que foram condenados por um estupro que não cometeram. A série retrata sobre os adolescentes do Harlem - Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise. Começando na primavera de 1989, quando foram questionados sobre o incidente, os quatro episódios discorrem por 25 anos, destacando a exoneração em 2002 e o acordo firmado com a cidade de Nova York em 2014.


Preconceito: palavra que é baseada unicamente em um sentimento hostil motivado por hábitos de julgamento ou generalizações apressadas, significa uma ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.

Fundamentada nesta palavra e em sua Etimologia que Ava Duvernay, dirigiu e escreveu de maneira tão necessária a degradante e desumanizadora história dos 5 ‘meninos’ do Central Park.

Olhos que condenam, estreou ontem (31) na Netflix com 4 episódios de tirar o fôlego, em meio a uma narrativa que aborda de maneira muito real o drama de Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise.


Divulgação Netflix

Desde que a minissérie foi anunciada, confesso que estava muito curiosa; desconhecia o caso, mas queria muito ver como o caso seria abordado, exatamente por se tratar de um assunto tão delicado, e tocar na ferida da discriminação racial e do sistema carcerário falho que visa resultados e não a justiça.

Ava conseguiu tocar em pontos cruciais, desde a abordagem aos menores (na época), permeando pelo julgamento, até o trato dentro dos presídios; Ela é direta em apontar as dificuldades em se viver em uma sociedade que visa status financeiro, cor e religião relacionando todos esses fatores.

O ego e a necessidade de acusar alguém pelo estupro de uma corredora de maneira rápida, aliados a um grupo de jovens negros detidos,  foi um prato cheio para tornar aqueles culpados pela sociedade, por natureza, Réus reais aos olhos da mídia e da (in)justiça.


Divulgação Netflix

Em 5 horas de show, vemos inocentes, crianças inocentes, se tornarem homens subjugados, e arcando com as consequências do encarceramento. O reingresso na sociedade, se torna outro ponto de exploração , tendo em vista o estigma de um crime não cometido e a ressocialização (quase) inexistente.

“Uma vez que eles te pegam, eles ficam com você”.

Se dentro deste contexto eu pudesse mencionar o que mais me chocou, com certeza seria Korey Wise (principalmente pela trajetória que levou ele até a delegacia, até a prisão) ele era o mais velho (16 anos) dos meninos acusados e foi parar direto no sistema carcerário, ao invés do reformatório; ele cumpriu pena por 11 anos, perdeu contato com a mãe, não tem nenhum suporte financeiro (e é penalizado por isso). Temos um episódio totalmente dedicado a ele de tão intenso que é, nosso limite é o dele e é tão absurdo que se não fosse uma história real, seria impossível acreditar.


Divulgação Netflix


Tenha calma aos assistir “Olhos que condenam” e esteja disposto a se emocionar, indignar e se transformar após essa experiência.

Trailer:







Por Juliana Brito 

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