Crítica | Mindhunter - 2ªtemporada

Se você ficar bravo com o final da segunda temporada, apenas irá provar o trabalho bem feito que é entregue em “Mindhunter”; a injustiça permeia a série do início ao fim; e não adianta culpar os roteiristas, afinal, a série se trata quase que de uma biografia. Inspirada no livro, a primeira temporada se atem as entrevistas; já segunda será surpresa até para quem leu o livro, ela mostra o início da aplicação da teoria na prática, ainda engatinhando para os holofotes da glória merecida. Holden Ford conduz o grande arco da história, ao ir para Atlanta realizar algumas entrevistas sem a supervisão de seu companheiro, Bill Tech, ele acaba se envolvendo com o caso do assassinatos de dezenas de crianças afro-americanas em Georgia, no começo dos anos 1980. O caso é real, arrepiante e triste, e você com certeza vai querer pesquisar sobre ele quando acabar a temporada. O FBI acaba se envolvendo no caso, e os agente Holden Ford e Bill Tech vão até Atlanta para auxiliar na caçada de um possível serial killer. No decorrer da série descobrimos que inúmeras falhas ocorreram antes da chegada dos agentes e a inclusão do FBI no caso; os avanços na investigação são constantemente barrados devido a questões políticas. E esse é apenas uns dos pontos onde a injustiça se apresenta. Inúmeras mães ignoradas, e 27 crianças mortas, e a polícia não cansa de errar, erra ao pisar em ovos com o prefeito, erra ao não colaborar. Sim, os agentes são tratados com tanto desmerecimento, que por vezes você acaba se perguntando o mesmo que eles “o que estão fazendo ali?”. Saindo do ambiente de trabalho, essa temporada focou na vida íntima de dois personagens. O agente Bill Tech tem problemas familiares sérios, e chega até mesmo se questionar sobre assuntos que parecem mesclar naturalmente seu trabalho e sua família, e isso é mostrado ao público com detalhes tão sutis, que nos engana ao achar que essa ideia é apenas um achismo de quem assiste. A Dr. Wendy Carr tem sua sexualidade explorada de uma maneira reveladora, que nos faz conhecer um outro lado da personagem.    Eu não poderia falar de tudo isso e ignorar a fotografia da série, já nos dois primeiros episódios, através do uso das cores, o diretor nos mostra para onde os holofotes irão mirar com maior afinco; as cores que contemplam a paleta da Dr. Wendy Carr se baseia no elemento mais presente da personagem, o seu tão adorado vinho branco; já o agente Bill Tech, tem sua paleta refletida nas cores dos olhos de seu filho; em pequenos detalhes, o diretor também nos entrega coisas que podem ser desenvolvidas, mas que não influencia a narrativa atual.  Sinceramente acho que a série entrega tudo muito bem, tanto a direção de arte, quanto os detalhes no roteiro, e palmas, mil palmas para a direção; a sutileza com que os temas são inseridos, e a maneira como ele conduz o espectador dentro da ambientação tensa e angustiante é simplesmente incrível. Repito, se tu não curtiu, ficou bravo, achou injusto e ficou irritado com o final da série, você assistiu certo, e o diretor realizou tudo o que pretendia. “Mindhunter” não é uma série com uma história bonitinha, mas uma realidade dura e brutal, que reflete a sociedade como ela foi, e incrivelmente como ela ainda é; a construção de um legado leva tempo, e muito sacrifício, vemos ao longo de toda a história que já nos foi apresentada, do que os personagens principais tiveram que abrir mão, e as dores que eles angariaram no decorrer dessa curta caminhada. O que temos visto é apenas o início de algo que ficaria marcado na história, e salvaria milhares de vidas.  Que eu sou uma grande fã da série não é segredo né?! Essa segunda temporada está incrível, e se fosse para resumir a série em uma única palavra seria INJUSTIÇA. Conta aqui pra gente o que você achou.

Todas as temporadas de Mindhunter estão disponíveis na Netflix

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