Título: O Último Dia da Inocência
Autor: Edney Silvestre
Editora: Record
Páginas: 195
Gênero: Ficção
Ano: 2019
Adicione: Skoob
Onde comprar: Amazon | Saraiva| Submarino
Sinopse: Do autor do best-seller Se eu fechar os olhos agora. Em meio às tensões do dia do comício de João Goulart na Central do Brasil, um jovem jornalista – indiferente às conspirações políticas à sua volta – se vê testemunha de um assassinato, do qual se torna o principal suspeito.Enquanto tropas do Exército, conspiradores e manifestantes vão se juntando no centro do Rio de Janeiro, o jovem – que não se recorda de ter cometido o crime – busca, por diversos pontos da cidade, desesperadamente, quem possa ajudar a inocentá-lo.Inteiramente passado em 13 de março de 1964, O último dia da inocência mistura situações e personagens reais a criações fictícias. A primorosa reconstrução do ambiente político brasileiro tem papel decisivo no desfecho da trama. Também primorosa é a recriação do Rio de Janeiro. Nessa obra-prima de recomposição de uma topografia afetiva, fruto de pesquisa meticulosa, o autor costura ficção de primeiríssima grandeza, em que se descortinam personagens destinados a permanecer na memória do leitor.
Editora: Record
Páginas: 195
Gênero: Ficção
Ano: 2019
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Sinopse: Do autor do best-seller Se eu fechar os olhos agora. Em meio às tensões do dia do comício de João Goulart na Central do Brasil, um jovem jornalista – indiferente às conspirações políticas à sua volta – se vê testemunha de um assassinato, do qual se torna o principal suspeito.Enquanto tropas do Exército, conspiradores e manifestantes vão se juntando no centro do Rio de Janeiro, o jovem – que não se recorda de ter cometido o crime – busca, por diversos pontos da cidade, desesperadamente, quem possa ajudar a inocentá-lo.Inteiramente passado em 13 de março de 1964, O último dia da inocência mistura situações e personagens reais a criações fictícias. A primorosa reconstrução do ambiente político brasileiro tem papel decisivo no desfecho da trama. Também primorosa é a recriação do Rio de Janeiro. Nessa obra-prima de recomposição de uma topografia afetiva, fruto de pesquisa meticulosa, o autor costura ficção de primeiríssima grandeza, em que se descortinam personagens destinados a permanecer na memória do leitor.
Quando comecei a ler, confesso que fiquei me sentindo um pouco à deriva, pois ainda não tinha me acostumado com a escrita e nem ao seu ritmo, diria até que duvidei da pertinência de alguns momentos, no entanto a história dá uma reviravolta tão grande logo nos capítulos iniciais que percebi que a narrativa que estava diante de mim não era algo que eu estava acostumada a ler e felizmente a surpresa foi positiva.
Um crime começa como? Com um passo tolo ou intencional? Um convite? Um consentimento? Uma capitulação? Um olhar ignorante a todas as evidências?
Quando me lembrasse das perguntas, seria tarde demais. (pág.17)
Ao embarcamos na odisseia do jovem aspirante a repórter, entramos em uma narrativa cheia de conflitos, mentiras e supostas conspirações que prendem nossa atenção e faz com que não consigamos largar a história nem por um minuto, já que a cada capítulo novas pistas são reveladas quanto ao assassinato que o repórter testemunhou.
Cada vez que o jovem órfão consegue descobrir sobre as pessoas envolvidas no assassinato, entrelaça ainda mais seu destino a algo que não é capaz de controlar, sua vida que já não era das melhores parece estar a um fio de piorar ainda mais, se não encontrar as respostas para preencher as perguntas não respondidas.
Nessa busca, reviverá memórias até então não acessadas, segredos sobre seu passado e principalmente sobre sua família. O jovem percebe que não foi vítima apenas de uma armação, mas de outras ações que estão intimamente ligadas a outras questões que descobrimos ao longo da narrativa.
O que mais me intrigou e ao mesmo tempo fascinou na história foi a construção desse personagem, a todo momento ele diz que é visto como um “ fantasma” e não entende o porquê, e é somente através do enredo que vamos entendendo esse fator, sem contar que as características físicas são as menos importantes, reparamos em outros pontos que se destacam no personagem. É através de terceiros que realmente conhecemos quem é esse jovem brasileiro e o quão surpreendente ele pode ser.
[...] eu me tornara o nada, aquele que ninguém vê, ouve, ninguém sabe que existe e respira, ali, bem ao lado. (pág.83)
A impessoalidade do personagem é tão intrigante e simultaneamente envolvente, que mesmo os relatos sendo em primeira pessoa, havia um tom um pouco frio e imparcial, percebe-se pela economia de palavras, a utilização de uma linguagem mais direta e impessoal. E tudo isso corraborou para deixar a trama ainda mais tensa e angustiante. A maneira como o jovem descreve certos momentos com certa banalidade e conformação deixaram-me surpresa e até de certa forma triste. Acho que é esse tipo de narração que fez com que eu acompanhasse com tanto afinco a história do jovem repórter.
A história toda é contada ao redor do dia 13 de Março de 1964, no Comício da Central de João Goulart, um evento que parecia num primeiro momento uma coincidência com o que o personagem viu, no entanto quando entendemos todo o contexto que envolve não só o assassinato presenciado pelo garoto, como também outros crimes, torna-se claro que não era apenas um acontecimento em que alguém estava simplesmente no dia e lugar errado, já que as questões envolvidas abrangiam política, economia, alianças e luta entre entidades poderosas.
Mesclando ficção com fatos históricos, revisitamos o ambiente político da época, e consegui visualizar com tamanha facilidade que conseguia sentir a exaltação das pessoas na Central do Brasil, a euforia, os gritos e a tensão que perpassava as pessoas a espera do pronunciamento de João Goulart. Assim também foi com a topografia brasileira, imaginar um espaço que hoje já não é mais o mesmo, uma fauna que hoje para nós é tão desconhecida.
Um dia se acaba sabendo. Mais dia, menos dia, alguém conta. O alívio da ignorância têm fim. (pág.181)
Todo esse ambiente propicia um desfecho que nos deixa tão atônitos e abalados, porque ao começar a leitura já fazemos um pré-julgamento quanto ao personagem e também já imaginamos como vai ser a narrativa, mas ao longo da obra temos sucessivas reviravoltas e revelações tão impressionantes que em determinado momento do livro eu já não sabia mais o que esperar, apenas sentar e acompanhar de forma passiva o que esperava no final. Nada aparenta o que é de verdade.
Li com tanto fervor que terminei a história em horas de tão envolvida com os conflitos do personagem, sem contar que, cada capítulo vai aumentando o nível de tensão tendo revelações tão bombásticas que tiraram meu fôlego. Ou seja, o livro tem tudo para oferecer uma leitura fluída, rápida e voraz para aqueles que adoram um bom livro de ficção com uma trama cheia de suspense.
Queria destacar também a composição da obra, porque essa capa está tão linda e conceitual, porque quando entendi o porque das esculturas na capa fiquei totalmente empolgada e ainda mais fascinada pela história, digo o mesmo para o título que carrega um significado tão grande que só ao final somos capazes de compreender. Tanto a Record quanto o Edney Silvestre estão de parabéns pelo o que nos proporcionaram.

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