A Música da Minha Vida é uma história contada através do olhar apaixonado de um garoto, repleta de tudo que a juventude transborda: coragem, amor, esperança, família, o filme nos mostra a capacidade única que a música tem de engrandecer o espírito humano. Inspirado no livro de memórias do jornalista Sarfraz Manzoor - “Greetings from Bury Park”, o filme narra a história de Javed (Viveik Kalra), um adolescente britânico de ascendência paquistanesa que cresceu na Inglaterra dos anos 80, na cidade de Luton, que encontra uma fuga para lidar contra o preconceito racial e os problemas econômicos durante o governo de Margaret Thatcher.
O filme tem como pano de fundo o movimento Skinhead, um movimento cultural iniciado nos anos 60 no Reino Unido. Alguns acreditam que tal movimento nasceu da fusão de duas subculturas, os mods e os rude boys, os seus representantes eram quase que exclusivamente pertencentes à classe operária. Nos anos 80, a ideologia skinhead sofreu inúmeras alterações, e o filme tem esse momento do movimento como pano de fundo; houve uma divisão entre grupos muitos diferentes, com ideias e formas de atuação distintas. Foi nessa altura que alguns grupos passaram a adotar influências neonazistas e homofóbicas, discussão trazida pelo filme de forma sutil, mas que te faz refletir.
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| Divulgação Warner Bros |
Dentro desse contexto, Javed cresce à sombra das ordens do pai, e a cultura paquistanesa, sofrendo diversas vezes preconceito por ser muçulmano; a forma que o jovem encontra para expressar tudo o que sente é escrevendo poemas, ele vê na escrita uma forma de fugir da intolerância da sua cidade natal e à inflexibilidade do seu pai tradicional. Apesar da paixão pela escrita, Javed não pretende seguir carreira, quem injeta incentivo em sua escrita é sua professora, que vê além do potencial expresso por javed.
Javed sempre foi um menino muito fechado, e ao ser apresentado a música do “Chefe”, ele enxerga paralelos entre sua vida simples e as letras marcantes de Springsteen. À medida que conhece a obra do cantor, Javed descobre um escape libertador para seus próprios sonhos reprimidos na interpretação das letras de Bruce Springsteen, e através dessa inovadora inspiração ele também começa a encontrar coragem para se expressar com sua própria voz.
A Música da Minha Vida foi um dos filmes mais elogiados do último Festival de Sundance, um filme que discute temas que marcaram uma época, com reflexões sobre racismo e imigração na Europa. Apesar de se basear em uma história que se passou há 30 anos, os assuntos abordados se mostram bem atuais; assusta saber que não evoluímos tanto quanto pensamos, deixamos as fitas cassetes, e agora ouvimos música nos nossos celulares, mas o preconceito ainda faz parte de nossa sociedade.
O filme ainda conta com uma grande vantagem na trilha sonora: as músicas de Bruce Springsteen. O desenrolar da história mostra o processo de auto descobrimento do jovem, tendo o músico de Nova Jersey sempre como conselheiro, guia, e inspiração. Apesar de ser um trilha sonora de alta qualidade, existem coisas que fazem o filme pecar, tem momentos que vemos nitidamente a influência da linguagem de videoclipes no filme, mas essa linguagem não se mantém, o que causa um leve desconforto, nada que chegue realmente a incomodar ao assistir.
A fotografia do filme é boa, mas não nos mostra nada de especial, entrega uma iluminação interessante, com cores nem fortes, nem pasteurizadas, mas uma mistura entre eles. Na narrativa como um todo, não existem muitos momentos realmente emocionantes que te faça transbordar em lágrimas, mas tem aqueles momentos bonitos, como a parte em que o pai decide se abrir para a opinião e visão de mundo do filho.
Com direção de Gurinder Chadha e nomes como Viveik Kalra, Hayley Atwell, Rob Brydon no elenco, A Música da Minha Vida estreia nos cinemas brasileiros em 9 de setembro de 2019.
Por Stefany Gomes


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