![]() |
| Divulgação Warner Bros |
O aguardado terror “Doutor Sono”, sequência do clássico “O Iluminado”, chega em breve nos cinemas, e já pudemos conferir o filme a convite da Warner Bros. Ambas obras foram inspirados em livros de Stephen King, um escritor norte-americano sendo um dos mais célebres da atualidade.
King possui uma carreira vasta e produtiva, o autor já rendeu mais de 60 livros e 500 milhões de cópias vendidas, o que é absurdamente impressionante. Desde o início de sua carreira, seus livros foram alvo de adaptações para Hollywood, e atualmente estas adaptações voltaram com tudo. O escritor possui histórias extremamente complexas e difíceis de se adaptar. Quando dá certo, rende filmes impressionante, muito deles que ficam em nossas mentes por anos e anos, e ganham o nosso coração, temos como exemplo clássicos como “Um Sonho de Liberdade”, “Carrie – A Estranha”, “À Espera de Um Milagre” e “Conta Comigo”, além desses, muitas adaptações de suas histórias vem sendo lançadas recentemente, temos alguns disponíveis na netflix (“Jogo Perigoso”, “1922” e “The Mist”, entre outros). A lista de adaptações é tão grande que se nos demorarmos nela não vamos conseguir falar do filme em questão.
Como é de conhecimento geral, a Warner Bros. tem os direitos sobre o filme de Kubrick, “O Iluminado”; então não demorou muito para colocarem os olhos no livro “Doutor Sono”, sequência do filme estrelado Jack Nicholson, em 1980, sendo considerado, até hoje, um dos filmes mais icônicos da história do terror (ainda que menosprezado por King). “O Iluminado” definitivamente marcou gerações.
Dirigido Mike Flanagan, especializado em produções de terror (se destacou em Hollywood com ‘A Maldição da Residência Hill‘ e ‘Ouija: Origem do Mal‘), teve um incrível cuidado em adaptar a obra original. Flanagan consegue fazer o que parecia impossível, a proeza de unir os universos do livro “O Iluminado” e “Doutor Sono”, e referenciar muito bem o filme comandado por Kubrick, sendo as referências um dos principais atrativos do longa.
“Doutor Sono” acompanha a história de Danny Torrance quarenta anos após sua assustadora estadia no Hotel Overlook, onde Danny conseguiu sobreviver a uma tentativa de homicídio por parte do pai; isso acaba deixando marcas em Danny, que torna-se um adulto igualmente traumatizado e alcoólatra. Seu vício se apoia tanto em seu trauma como na sua busca por adormecer seu dom. Porém dentro da narrativa a busca pelo amor paterno e tentar compreender os motivos que tornavam o seu pai violento, parecem ser maiores do que a tentativa de entorpecer sua iluminação, algo que poderia ter um desenvolvimento mais interessante, e com uma explicação mais abrangente, que ajudaria no entendimento de alguns momentos da história.
Dentro de seu vício Danny vive uma realidade de constante fuga, desde que saiu do Hotel Overlook, parece que não parou de correr, de fantasmas, lembranças e de sua própria “luz”.
Após receber uma visita de um velho amigo em um momento um tanto quanto perturbador, Danny decide mudar sua história; ele se muda para uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospício local e cria um vínculo telepático com Abra, uma garotinha que também possui a “iluminação” - capacidade que uma pessoa tem de ver espíritos e que dá origem a outros dons perturbadores - através de Abra descobrimos algumas das extensões do dom que nos é apresentado em “O Iluminado”.
Quando Abra o procura, ela está desesperada para que ele a ajude a lutar contra seres que são parte uma comunidade/culto que se alimentam da “luz” de inocentes visando a imortalidade. Ao formarem uma improvável aliança, Dan e Abra se envolvem em uma brutal batalha, onde os seus dons são colocados a prova.
O filme nos conta várias histórias paralelas a de Danny, fato que podem distrair o público, contudo as histórias se encontram na trama, e o filme consegue amarrar essa colcha de retalhos de maneira louvável, rendendo uma narrativa de fácil entendimento que presenteia o espectador com uma história densa e dramática.
Além de uma direção extremamente rebuscada e estilosa, a produção ainda conta com um elenco estupendo. Em um ano em que tivemos as adaptações de “Cemitério Maldito” e “IT: A Coisa – Capítulo 2”, “Doutor Sono” consegue acompanhar a qualidade dos filme, se tornando mais um na coleção dos fã que agradou o escritor.
Unindo os elementos do livro “O Iluminado”, o terceiro ato da produção é um gigante fan-service para os adoradores do filme de Kubrick, na verdade desde o começo do filme somos mimados com inúmeros easter eggs, referências, aparições surpresas e cenas que te deixarão nostálgico e eufórico (quero deixar aqui registrado, o ator Danny Lloyd - atualmente fora dos holofotes do mundo da atuação - aparece em uma das cenas, o que é excitante e incrível, EU AMEI!). É um deleite reviver toda a nostalgia do original, enquanto temos um sopro inovador com uma história com um contexto completamente diferente do livro/filme de mesmo universo.
Já que comecei a falar da história, gostaria de ressaltar que falta explicações e sobra momentos desnecessários. E isso é um dos pontos negativo do filme. Acredito que os momentos mais tensos poderiam ser trabalhados de uma maneira melhor. Na realidade o filme se enquadra mais como uma fantasia fantástica que busca um lugar dentro da realidade, do que como terror, nem o suspense se faz presente na narrativa.
O diretor parece ter optado por fugir da exibição de momentos incômodos, mesmo que a história tenha lugar para isso, deixando a desejar nas cenas mais impactantes do filme, e também com uma leve falta de sentimento; a vilã da história parece ser mais humana nesse ponto do que os mocinhos, que nem ao menos conseguem realmente se importarem com certos acontecimentos (pelo menos não convencem). Além de o filme ter um ritmo lento e uma longa duração, o que pode deixar algumas pessoas impacientes pelo desfecho.
Mas a fotografia do filme, é simplesmente linda, com um bom uso de cores verde musgo, que se mostra constante na tela, e movimentos de câmera bem pensados. A trilha sonora é bem elaborada, desde o começo vemos o dedinho da referência bem usada, quando notamos que a música que serviu de base para as novas é a trilha sonora de “O Iluminado”. O filme agrada muito, mas acredito que não se enquadre no que promete.
Doutor sono chega dia 07 de novembro nos cinemas.
Por Stefany Gomes


Comentários
Postar um comentário