Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) é um advogado recém-formado em Harvard que abre mão de uma carreira lucrativa em escritórios renomados da costa leste americana para se mudar para o Alabama e se dedicar a prisioneiros condenados à morte que jamais receberam assistência legal justa. Ao chegar lá, Bryan se depara com o caso de Walter McMillian (Jamie Foxx), um homem negro falsamente acusado de um assassinato, mas que nunca teve uma defesa apropriada por conta do preconceito racial na região.
O filme conta com um roteiro muito bem construído, atuações impecáveis, mas nos demais detalhes técnicos eles não chama tanta atenção. Não que isso seja alguma falha.
A direção de Destin Cretton é sutil o suficiente para deixar o roteiro brilhar, e suficientemente pensada para emocionar o público. Momentos que vão ressoar na mente do público são construídos através das imagens criadas e momentos moldados pelo diretor, que acerta na fotografia quando a deixa mistificada , fazendo o público ver-se preso entre a liberdade e a injustiça.
Abro espaço neste parágrafo apenas para elogiar as interpretações, que estão de tirar o fôlego. Jamie Foxx nos presenteia com a dor da injustiça, nos mostrando um homem, simples, condenado injustamente, mas não um santo. Brie Larson nos mostra seus truques mais que incríveis em dramas, nos demonstrando uma psicóloga, mãe e uma guerreira que busca por um pouco de empatia e justiça. Tim Blake Nelson é surpreendentemente absurdo, ele nos traz a dor, o medo e as fraquezas de pessoas que por vezes não nos lembramos de que são humanas assim como nós. Rob Morgan nos traz a amizade e a compreensão. Todo o elenco nos convence de que o ser humano é mais humano do que costumamos lembrar, até mesmo aqueles que erram, aqueles que muitos querem que queimem em fogueiras.
O filme se sobressai em diversos aspectos, e aqui quero expressar uma reflexão que tive no meio da sessão. Não sei se todos sabem como funciona todo o trabalho de críticos e formadores de opinião; mas basicamente sites como esse que vocês estão lendo contam com colaboradores (como eu) e os criadores de site (como a Juliana Brito - criadora do Geek Things); o trabalho é feito de forma voluntária inicialmente, então nós vamos para as cabines onde os filmes nos são apresentados e depois escrevemos. Por ser de forma voluntária não recebemos dinheiro para realizar as críticas, e isso não é problema algum, pra mim.
Sentada naquela sala escura, no meio da sessão eu comecei a escutar muitas pessoas chorando, choros sentidos, e isso me fez pensar em quantos negros estavam sentados ali naquela sala, em quantos negros tem a oportunidade de trabalhar de graça por amor, e em quantos conseguiriam pagar um ingresso para ver aquela obra tão relevante para eles, onde eles sentiriam uma maior empatia para com a história, onde eles teriam uma identificação.
As salas de cinema, muito provavelmente vão lotar de pessoas que vão sair chorando da sessão, e eu ainda me questiono quantos negros estão entre essas pessoas. Acredito que não preciso discorrer muito aqui sobre essa reflexão; mas acredito que as pessoas que são hoje injustiçadas na nossa sociedade, muitos não terão a oportunidade de ver esse filme.
A arte é um patrimônio cultural público e de extrema relevância para as minorias. O que estamos fazendo para que esse conteúdo chegue às pessoas certas? Será que sentar e se emocionar com histórias sobre injustiças minimiza algo? ou apenas nos acaricia a consciência?
Deixo vocês com essa reflexão, e outras mais para quem assistir ao filme.
Luta por Justiça chega dia 20 aos cinemas!
Por Stefany Gomes.

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