Resenha | Duna

Título: Duna
Autor: Frank Herbert
Editora: Aleph
Páginas: 680
Gênero: Fantasia/Ficção Científica
Ano: 2010

Adicione: Skoob
Onde comprar: Amazon
Sinopse:A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?
Ao lado das trilogias Fundação, de Isaac Asimov, e O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, Duna é considerada uma das maiores obras de fantasia e ficção científica de todos os tempos. Um premiado best-seller já levado às telas de cinema pelas mãos do consagrado diretor David Lynch.


Duna é uma das histórias mais fantásticas e complexas que eu já li. Frank Herbert criou um universo tão vasto e tão único,  que ao mesmo tempo é uma daquelas histórias que mesmo sendo escrita há anos, é tão atual e presente ao apontar sinais do caminho que a humanidade traça para seu futuro. Num misto de fantasia e ficção científica, a trama vai nos entregar momentos fortes e intensos, com diálogos - principalmente interiores - onde o contexto apresentado naquele momento, mesmo que não faça tanto sentido, terá sua importância ao decorrer ou até mesmo no final da história.

Em Duna, vamos conhecer um universo intergalático feudal que se passa num futuro distante, onde esses feudos são controlados por Casas nobres e regidos por uma casta imperial acima de todos: a Casa Corrino. Partindo daí, vemos um jogo político muito complexo na narrativa. Algumas dessas casas vivem em harmonia na maior parte do tempo, quando lhe convém puxam o tapete da um da outra. Tudo converge para um jogo de poder onde sempre que convém alguém vai tentar prejudicar o outro. Essa sociedade também possui uma tecnologia muito avançada, porém só se utiliza mecanismos de função analógica - nada de robôs ou qualquer tipo de inteligência artificial, e existem os Mentat, pessoas que são treinadas e capacitadas para terem suas mentes aguçadas e expandidas, de forma que elas trabalham como uma espécie de computador humano.

Nosso protagonista é o Paul Atreides, um jovem, filho e herdeiro do Duque Leto Atreides. Sua família vai receber uma proposta irrecusável que é administrar o feudo de Arrakis, um planeta aonde se vê apenas areia em primeira vista (tanto que é conhecido como Duna), entretanto, Arrakis é o único lugar que possui uma substância chamada Melange, produto esse que seu usuário ganha a capacidade de "transcender" e despertar sentidos e habilidades aguçadas, porém o seu uso desencadeia um vício que pode ser mortal. 

 Agora falando sobre a leitura em si, Herbert preza do começo ao fim na moral de sua história e o que ele quer passar nas entrelinhas. Diferente dos livros de high fantasy que vemos atualmente, nessa história não veremos uma constância de cenas de batalhas ou o uso de habilidades sobre-humanas. O grande foco em diversas cenas são os diálogos usados e frases que causam um grande impacto nos personagens da cena  e principalmente no leitor. Abordando questões filosóficas, antropológicas, éticas e acima de tudo políticas, a narrativa da história não é difícil, o autor não carrega o livro com palavras difíceis ou metáforas para os cults. Mas a leitura ainda assim é muito densa.

Você cai de paraquedas em todo o cenário e vai se adaptando com o que está acontecendo, leva um certo tempo para você pegar o ritmo dos locais e dos personagens - já que o autor não nos da explicações de quem é quem - mas quando isso acontece, você engata nesse universo e o resultado é uma das histórias mais incríveis que você vai ler. 

Duna é um dos pilares das grandes histórias que vemos atualmente seja nos livros ou nos filmes. Com seis anos de pesquisa Frank Herbert investiu muito ao escrever o primeiro volume dessa saga e ostenta personagens icônicos e destintos, locações em cenários de tirar o fôlego e o final da história só te deixa com aquele frenesi na cabeça para tentar superar tudo o que aconteceu e enfrentar o que vem em seguida no próximo livro. Já que ao todo são seis livros na saga principal.

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