Chegou hoje na Netflix, a série Ratched, nova produção criada por Ryan Murphy para a plataforma, que conta com ninguém menos que Sarah Paulson no papel principal.
A trama (re)imagina a origem da icônica enfermeira Mildred Ratched de 'Um estranho no ninho' trazendo para o espectador a justificativa da natureza doentia da personagem. Sexualidade reprimida, abusos familiares, irmão com tendência à violência são alguns dos pontos que procuram explicar o desenvolvimento da personagem.
Ambientado em 1947, Ratched apresenta uma anti-heroína já assustadora mas completamente ingênua, mas que infelizmente não entrega o que se propõe, que é uma história de prelúdio. A produção é descrita como um mistério, mas que soa como uma temporada a parte de American Horror Story, e como de praxe se perde completamente do meio para o fim.
O que parecia ser algo icônico, se torna desconexo. No início vemos a personagem já com seu instinto assassino e cruel, e ao longo dos episódios ela parece amolecer. Mas não era para ser ao contrário?
A impressão que temos é que Ratched é quem ela precisa ser naquele momento, se moldando a cada possibilidade: a manipuladora, a irmã preocupada, a amante, a sexualmente reprimida, a vingativa e até mesmo a enfermeira carinhosa; de forma a desenha que uma mulher pode ser quem ela quer ser. Mais uma vez Paulson mostra como pode ser multifacetada brilhantemente.
Se a história não é tão agradável, a produção e si é um deleite aos olhos e vale cada minuto. A riqueza de detalhes no figurino e nos cenários é deslumbrante e as cores, elas sim são os grandes astros da história. Elas são presentes de maneira intensa e significativa. Quando vemos a protagonista em seu carro verde, ou trajando seu belo vestido amarelo, sabemos que ali haverá muita opressão, muita vingança, muita ganância, mas principalmente muita insanidade. Tais cores, estão presentes em todo ambiente, não somente nos objetos, mas também na iluminação. Enfim o que preciso reforçar é que as cores são de fato o melhor que a série tem a oferecer ao espectador.
Tal aspecto, é a marca registrada de Murphy, sempre muito impecável nos detalhes, e no luxo de suas produções; presentes tanto nas vestimentas, quanto nos cenários e nas paisagens.
Ratched tem pontos muito interessantes ao longo dos episódios, com atuações honestas e de bastante impacto; Mas também como uma mensagem crítica sobre a forma que os doentes mentais foram tratados nas instituições ao longo dos anos, e até mesmo como a ignorância da época resultava em tratamento de questões que não exigiam tal de maneira brutal e cruel.
No mais Ratched peca pelo excesso e não entrega nem metade do que promete, o que me entristece tamanha expectativa. Espero que caso renovada oficialmente consiga superar este primeiro ano.

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