Título: O Mal nosso de cada dia
Autor: Donald Ray Pollock
Editora: Darkside Books
Páginas: 300
Gênero: Thriller
Ano: 2011
Sinopse: Em uma cidade esquecida no interior de Ohio, a esposa de Willard Russell está à beira da morte, não importa o quanto ele beba, reze ou faça sacrifícios e oferendas. Com o passar dos anos, seu filho Arvin, uma criança negligenciada, torna-se um homem frio e cruel. Em torno deles, circula um nefasto e peculiar grupo de moradores — um insano casal de assassinos em série, um pastor que come aranhas e um xerife corrupto —, todos entrelaçados numa viciante narrativa da mais corajosa e sombria lavra americana.
Desde o início da leitura já sentimos a atmosfera que a escrita de Donald Ray Pollock quer criar. Com uma narrativa carregada do pré conceito coronelista de uma cidadela em plenos anos 50, percebemos para a onde a história vai nos conduzir: Até que ponto a fé justifica seus atos?
Pollock tem um jeito de escrever que incomoda, e não de uma maneira ruim, ele consegue através das palavras proporcionar ao leitor o desconforto da situação em que os personagens se encontram; bem como o pré conceito, os desejos... os mais profundos sentimentos dos inúmeros indivíduos participantes dessa trama desenvolvida em 3 atos distintos.
A história começa com o retorno de Willard Russell, um veterano de guerra traumatizado após ver seu colega crucificado vivo no Vietnã. Ele então conhece Charlote e de cara sabe que é a mulher da sua vida, mas o que ele não sabia é que sua mãe havia lhe prometido -em oração- à Helen. O que nunca aconteceu... O que a leva a crer que as cadeias de desgraças começaram exatamente ai. Willard se casa, mas sua mulher adoece e para que possa tentar ajudá-la ele faz uma série de sacrifícios onde seu filho Arvin é obrigado a compartilhar, até o momento de ir morar com a Vó.
Arvin é o protagonista dessa história e logo, você perceberá que todos os arcos culminam nele, que é o único ser de pouca fé, depois da tortura mental que passou na infância.
Arvin definitivamente não é um cara ruim, mas é sim um cara com muita raiva dentro de sim, mas muito disso é resquício dos traumas e ele precisa aprender a lidar com esse "Diabo" existente dentro de si.
O segundo ato acompanha a dupla de serial Killers, Carl e Sandy. uma casal de fracassados que de tempos em tempos viaja a procura de modelos que serão mortos posteriormente. Mas, na maioria do tempo, o casal vive na cidadezinha onde Sandy é bar tender e prostituta nas horas vagas. Sandy é irmã de Lee Bodecker o xerife corrupto do condado.
O terceiro arco é a do Preston Teagardin, um falso pastor que chega na cidade para substituir seu tio que adoece. O que ninguém imaginava é que este seria além de tudo pedófilo.
Todos esses arcos, como falei acima se conectam com o arco de Arvin que proporcionam ao leitor um thriller instigante e envolvente, principalmente na reta final.
Não quero dar spoilers aos leitores dessa resenha então me limitarei a uma explanação superficial, ok?!
Dito isso é preciso compreender a proposta, não tão sutil do autor que nos leva a reflexão da forma mais visceral possível sobre a fé e o fanatismo religioso. Onde atos hediondos são justificados na religião, uma pessoa busca seu lugar na crença ou na redenção de uma culpa que o assolava por toda a vida por não acreditar.
Definitivamente o Mal nosso de cada dia é um leitura interessante e envolvente. Mas esteja preparadx e com a mente livre pois os inúmeros personagens e as idas e vindas nas linhas temporais podem ser um ponto questionável mas que nada diminui em sua experiência.
No mais, Boa leitura!

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