Crítica | Bom dia, Verônica


Bom dia, Verônica‘, que adapta o livro de mesmo nome do Raphael Montes  e da Ilana Casoy, publicado no Brasil pela Darkside, chegou na Netflix, com algumas liberdades poéticas, mas que ao longo de 8 episódio entrega uma história verdadeiramente envolvente e de tirar o fôlego.

Dentro da narrativa de ‘Bom dia, Verônica’ acompanhamos duas histórias que acontecem em paralelo e que posteriormente se conectam. Vemos Verônica, uma escrivã da polícia civil que vê uma mulher se suicidar na sua frente, bem no meio da delegacia, obcecada em descobrir o que levou a mulher a tirar sua própria vida, sua história se cruza com a da Janete, uma dona de casa, forçada a viver quase que em cárcere, esposa de uma tenente coronel da PM que é nada mais, nada menos que um serial killer.

Mas se tudo isso não bastasse, a trama extremamente amarrada e cheia de camadas da produção original brasileira, trás a tona assuntos tão polêmicos quando os crimes que vemos, que muitas das vezes caem no esquecimento.

A série consegue manter o ritmo com maestria, segurando reviravoltas a cada episódio, envolvendo o espectador, de fato. As críticas e as mensagens que a série nos trás é parte fundamental da história, que transcende o fator “polícia” e nos leva a reflexão sobre os momentos em que o preconceito contra as mulheres é marcante, quando o lado feminino não é ouvido, quando as mulheres veem seus problemas deixados de lado, por serem considerados menos importantes, e principalmente, a ideia de que tudo é culpa da mulher. Em várias cenas fica evidente como a prioridade é parecer que está tudo bem, e não proteger as mulheres que precisam realmente de ajuda. Essa crítica é tão forte e presente na série, que podemos perceber esses comportamentos sendo aplicados até mesmo por mulheres, que por terem um status superior em sua carreira, pensam que podem subestimar os problemas dos outros e tratá-los como inferiores.

Fica claro como o roteiro dessa série foi extremamente bem construído, graças a parceria com os criadores originais da história. É uma produção assertiva em todos os pontos; diálogos, desenvolvimento, conclusão… Tudo funciona na mais completa harmonia de maneira a nos manter conectados emocionalmente com o show.

‘Bom dia, Verônica’, não é só uma série que PRECISA ser assistida, Não é só um thriller impecável; ela é também um grito de socorro para todas as mulheres que precisam ser ouvidas e que um dia se sentiram silenciadas. Mas uma vez, vemos um exemplo que que uma série nunca é só uma série, sempre podemos encontrar uma lição se soubermos olhar a fundo.

 

A série estreia dia 1º de outubro na Netflix.



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