“Tempo” (Old), próximo filme de M. Night Shyamalan, marca o retorno do diretor às telonas após “Vidro” em 2019. Desde então, o cineasta tem trabalhado na série de terror psicológico “Servant” para o serviço de streaming Apple TV+, que já tem duas temporadas e uma terceira confirmada.
Estrelado por Gael García Bernal, Old é inspirado na graphic novel (uma espécie de HQ) Sandcastle (2010) e acompanha um grupo de pessoas que encontram um cadáver na praia e lentamente percebem que algo fora do normal está acontecendo.
Apesar do diretor ser conhecido pelo grande público por seus plots surpreendentes, em “Tempo” M. Night não entrega isso, O filme é carregado de inúmeras questões que trazem reflexões, sociais e pessoais, um roteiro sem furos e de um segmento lógico; o que gera uma tensão brusca e prende a atenção do público que aguarda uma resolução para aquela situação agoniante vivida pelos personagens. Além do suspense e da apreensão ele entrega reflexão e eu adorei tudo que ele é capaz de nos fazer pensar.
Tudo acontece rápido no filme, é um acontecimento atrás do outro e isso te deixa com o coração aflito a cada instante e curioso para saber o que vai acontecer no minuto seguinte; apesar da obviedade do que irá se seguir, porque queremos uma solução, e acredito que esse seja o ponto mais assustador do filme, a previsibilidade de como as coisas acabam e a solução que não se apresenta. A construção narrativa nos entrega um drama de tensão surpreendente, ele coloca em jogo questões sociais, pessoais e até mesmo um questionamento, o que importa, o que carregamos com nós, a fuga e o medo do fim, o tempo que dispomos aos nossos familiares, a dor da perda e a falsa estagnação que vivenciamos com o passar dos anos; além deixar uma questão no ar com o final, o valor que a vida tem para o mercado.
A forma como M. Night constrói o terror psicológico é algo que transborda o pensamento do diretor, nenhuma imagem, ação e fala está ali por acaso, é uma tensão criada que me pareceu muito similar ao filme “Sinais” de 2002; você não pode fugir da verdade, não pode fugir do fim. Também tem a similaridade de reviravoltas, onde em ambos não é inesperado. Existe só uma construção lógica de ação e reação. Não existe uma solução ou explicação reconfortante, mesmo que involuntariamente você busque isso no decorrer do filme, e é extremamente assustador, exatamente em virtude disso. Eu fiquei angustiada em vários momentos vendo tudo que acontecia. E tipo, okay, pessoas morrem em vários filmes, no entanto, a maneira que a morte é retratada neste, é algo que te traz uma reflexão, uma angústia pela perda do tempo, das memórias, da possibilidade de errar e seguir em frente com os erros, porque ali, eles não tem o que mais ignoramos, tempo. Acredito que toda a angústia envolta da narrativa também seja um reflexo do tempo que vivemos, da incrível capacidade que temos de desperdiça-lo, de deixar tudo para depois... Acredito que o longa toque nesta ferida, se você se permitir interpretar.
Para além desses detalhes e reflexões, o filme tem um cuidado técnico impecável, além de uma agradável surpresa com uma participação, até bem extensa, do próprio diretor; M. Night Shyamalan, que interpreta um dos funcionários do hotel onde as famílias se hospedam. A maior parte do filme se passa na praia, temos poucas internas e também poucas cenas no escuro. Vale enfatizar também que mais uma vez o diretor brinca com o imaginário popular em uma cena em específico. Algo que eu particularmente amo, afinal, ETs possessões demoníacas e heróis fazem parte da nossa cultura, e o diretor adora trazer respostas e soluções para elas.
Em suma, não espere algo mirabolante, e talvez isso tenha incomodado muitos críticos outrora, se prepare sim, para se sentir angustiado, sem fôlego e ansiando por viver cada minuto da melhor forma possível.
Tempo chega hoje, 29 de julho, aos cinemas!
Por Stefany Gomes


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