O Esquadrão Suicida, estreia dia 5 de agosto (quinta-feira), o filme surpreende pelo seu enredo que, diferentemente do anterior lançado em 2016, não tem medo de matar os seus personagens; na verdade consegue fazer com que você se apegue algum deles nos primeiros minutos, logo de cara nos é entregue mortes, ação, planos incríveis e a genialidade de Gunn exposta na assinatura do filme.
Os planos, o cuidado com cada cena e principalmente com a personalidade dos personagens surpreende, você se vê agarrado à cadeira de cinema sem querer desgrudar os olhos da tela, é tanta coisa acontecendo, tanta informação e novos personagens. O filme não tem medo algum de arriscar e joga cartas precisas, cartas que constroem um incrível e forte castelo para DC. Sinceramente, eu nem terminei de ver o filme (e essa crítica), mas já digo que espero que tenhamos mais um filme da franquia.
No filme, acompanhamos a mesma premissa do anterior: Amanda Waller (Viola Davis) precisa de um time, o time formado é novamente liderado pelo coronel Rick Flagg (Joel Kinnaman), para invadir a ilha-nação de Corto Maltese (criada por Frank Miller para o gibi clássico "O Cavaleiro das Trevas" e adotada brevemente por Tim Burton em seu "Batman") e destruir um programa militar que ameaça a soberania americana. Para isso, são selecionados da prisão de Belle Reve os bandidos com perfil mais adequado para o sucesso, incluindo o mercenário Sanguinário (Idris Elba), o Pacificador (John Cena), a Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior), o estranhíssimo Bolinha (David Dastmalchian) e o auto explicativo Tubarão-Rei (voz de Sylvester Stallone). Retornando surgem os rostos conhecidos do Capitão Bumerangue (Jai Courteney) e, claro, da Arlequina (Margot Robbie).
A assinatura do diretor também é visível em quase todos os aspectos técnicos de produção. Desde a trilha sonora, que varia do rock clássico ao épico das batidas technopop, os efeitos especiais impecáveis e precisos (sem exagero) e até mesmo nas sequências de lutas bem coreografadas e repletas de fotografias excelentes – sério, parece que cada quadro do longa é um screenshot trabalhado de forma única, seja para destacar a beleza/loucura de Arlequina e Idris Elba (Sanguinário) ou mesmo as mortes sanguinárias bem trash que lembram filmes dos anos 1980.
A direção de James Gunn não deixa a desejar em momento algum, com planos pensados, coreográficas e referências respeitosas (principalmente respeitando todo o trabalho já feito com Arlequina e referenciando momentos do filme “Aves de Rapina”), o diretor não decepciona no novo filme, o trabalho do diretor alinhado a toda a equipe enche os olhos dos fãs. A direção de arte merece aqui uma menção honrosa; acho que algo que amo na DC é que eles não têm medo de arriscar, os figurinos brincam com a plasticidade e cores dos figurinos, nos entregando verdadeiros trajes de super-heróis, vilões… anti-heróis.
Para além da direção, temos as atuações, que estão impecáveis!
No grande elenco da produção da DC, cabe destacar os dois novos nomes que tem grande poder de conquistar o público: Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior) e Tubarão Rei (Sylvester Stallone). Enquanto a atriz portuguesa atua como a bússola moral do grupo e é responsável pelas cenas com maior teor emocional, Nanaue é o maior escape cômico e até “fofo” em meio a todo o filme, e vale ressaltar que o personagem participa de forma ativa e presente na trama. O Pacificador de John Cena traz um fator interessante que não havia sido abordado no primeiro filme da franquia: a rivalidade – afinal, é um grupo cheio de vilões. Ao lado do Sanguinário, o vilão protagoniza momentos de tensão bacanas para ver quem é o “supremo atirador” do grupo – visto que ambos têm, praticamente, as mesmas habilidades e características temperamentais.
Arlequina mantém a evolução como personagem que mostrou em ‘Aves de Rapina’ e brilha ainda mais, sem roubar a cena dos colegas do Esquadrão, não se apoiam apenas na imagem forte da personagem, ela tem os seus momentos de destaque e brilho, mas não fazem a narrativa gira em torno da personagem. E não só por dar sequência aos atos de insanidade, ou por conta do novo figurino, mas graças ao excelente trabalho de Robbie que, nas mãos de Gunn, faz com que ela, inclusive, protagonize uma das melhores sequências de ação do Universo Estendido DC. Já Kinnaman, como Flag, é excelente: o ator dá uma nova faceta ao líder de campo e desenvolve a sua jornada de forma menos travada e mais simpática, pegando o público de surpresa em certos momentos.
‘O Esquadrão Suicida’ conta com atuações de peso de dois nomes aclamados e experientes: Viola Davis e Peter Capaldi. Comparado ao filme anterior, creio que Waller parece em menos cenas, contudo exibe as mesmas características impetuosas e tiranas, aqui até mais forte e mais imposta, e performa com tranquilidade até mesmo nos momentos de surtos e nervosismo. Já o eterno ‘Doctor Who’ aparece com uma caracterização bizarra e entrega o personagem “Pensador” que, mesmo sem ação, desafia a todos de maneira ameaçadora. É graças à total falta de escrúpulos do cientista que o terceiro ato frenético e majestoso ocorre – e por motivos críveis e compreensíveis.
O universo cinematográfico e crítico da DC também não falha, mesmo com a desvairada equipe, o filme entrega uma crítica política muito realista, algo que faz sentido para as Américas afetadas por regimes militares que foram apoiados e financiados pelos EUA. Essa temática vem à tona com um carácter sadico, visto que a verdadeira missão revelada apenas no final, não se importava com os resultados de rastro de destruição que deixará, desde que isso não afetasse a imagem dos Estados Unidos.
O que mais eu poderia dizer aqui para te fazer querer ver esse filme? A DC vem acertando a mão e permanece sendo (na minha pessoal e totalmente individual) o melhor universo cinematográfico de heróis.
Assista O Esquadrão Suicida chega em 05 de agosto nos cinemas
Por Stefany Gomes

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