O Impulso | Resenha com Spoilers

Título: O impulso
Autor: Ashley Audrain
Editora: Editora Paralela
Páginas: 359 páginas
Gênero: Thriller psicológico
Ano: 2021
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Sinopse: Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil.

Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade. Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?


Se você me acompanha a algum tempo, certamente sabe que histórias complexas e que fazem minha mente explodir são as que mais amo.

Meses atrás uma seguidora me indicou a leitura de O IMPULSO, livro de estreia da autora Ashley AudrainO thriller psicológico se utiliza de situações reais e pouco discutidas acerca da maternidade para trazer não somente a reflexão sobre, como também questionamentos sobre criação x hereditariedade e comportamento infantil. Não, não pense que é bobo ou monótono, pelo contrário, aqui você vai passar muita raiva, se chocar e até mesmo se emocionar com o gaslighting social que as mulheres sofrem quando as suas histórias são incômodas demais.

Em O IMPULSO temos um outro olhar sobre a maternidade -creio que para quem é mãe seja um livro bem mais difícil de se digerir- a mesma sempre é descrita como o sonho e a realização de toda mulher, contudo para algumas não é bem assim, existem mulheres que não possuem este desejo, e que muitas vezes precisam mergulhar de cabeça na gestação para suprir a necessidade da sociedade, da família e até mesmo do marido.

Este é o caso de Blyhe, nossa protagonista, a terceira da linhagem de mulheres que foram péssimas mães e isso descobrimos ao longo das páginas, quando acontecimentos de suas antepassadas, a faz questionar as suas e a de sua filha Violet.

Pois sim, por capricho do seu marido Fox, Blythe acaba gerando uma menininha, Violet. A dualidade de ser ou não uma boa mãe é latente dentro de si, mas logo decide que será a melhor mãe que puder ser; mas Violet prefere o pai; e quando Blythe começa a ter ciência disso, e comenta com o marido, ele a desacredita, dizendo ser fruto da sua imaginação.

Sua relação com Violet, principalmente quando esta começa a falar, é uma montanha russa de emoções, pois à partir dai ela verbaliza o descaso, o desgosto e o desamor pela mãe.

Mas Blythe precisa se provar como mãe, precisa mostrar para si que é capaz, como sua vó e sua própria mãe, não foram; e é então que dá à Luz ao Sam.

Podemos dizer que este é o ponto de virada do livro, pois é ali que Blythe se entende como mãe e se sente amada, até a morte da criança durante um passeio em um cruzamento, onde estava com Violet, que Blythe garante ter sido a culpada.

Sua depressão após a morte de Sam, aliada a sua desconfiança para com Violet, leva Blythe ao fundo do poço. Ela descobre que seu marido a esta traindo e pior que tem um filho com outra mulher. Sim parece que Violet conseguiu o que queria, pois agora seus pais estão separados.

Seu ex marido Fox, agora mora com Gemma e juntos tem um bebê chamado Jet; Violet mora com eles a maior parte do tempo, já que ela diz não conseguir conviver com Blythe, e nos raros momentos de convívio ela cria situações e mentiras fazendo a mãe parecer incrivelmente má e incapaz. E em um surto, de Blythe, propositalmente causado pela filha ela a acaba machucando e perdendo em definitivo o direito de visitação.

E quase dois anos após grande parte de suas desconfianças serem confirmadas, e mesmo assim desacreditadas Blythe segue em frente, até que uma ligação, de alguém que nunca lhe deu voz, afirma que estava certa.

Blythe está a todo o tempo tentando provar a todos de que algo está errado com Violet. Enquanto seu marido, Fox e todos os outros a desqualificam dizendo ser nada demais, ela começa a questionar sua sanidade e a acreditar que de fato estava errada a todo o tempo. No entanto, no final, fica claro que ela estava certa o tempo todo, porque agora Gemma estava passando pelo mesmo. 

Diferente de histórias sobre relacionamento tóxicos, em O IMPULSO vemos as consequências da falta de apoio e da famigerada positividade tóxica.

Mas uma coisa é certa, Blythe sempre esteve certa sobre sua filha, e o fato dela não ser uma narradora confiável é proposital, principalmente para com o que a autora se propõe mostrar, que nós mulheres estamos constantemente descompensadas em inúmeras situações.

E se existe uma palavra que serve de fio condutor e reflete bem sobre este livro é negligência. Blythe foi negligente para com Violet, sua avó foi negligente com sua mãe, a mãe de Blythe foi negligente para com ela; e Todos foram negligente com Blythe e com as atitudes de Violet, que levaram a mesma a se tornar uma espécie de sociopata.

A escrita de Ashley é madura e rebuscada, daquelas que constantemente precisamos retornar para compreender nuances, contudo o que me ganhou nesta narrativa, foi o fato dela, em nenhum momento bater o martelo sobre o que é certo ou errado, mas sim de como a mente humana percebe os sinais. Respostas? Essas ficam a cargo do nosso imaginário.

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