O filme “O Telefone Preto”, inspirado em um conto de autoria de Joe Hill – filho de Stephen King e Tabitha King – e lançado originalmente como livro, conta a história de um sequestrador chamado The Grabber, interpretado por Ethan Hawke na adaptação cinematográfica. Nos anos 1970, o criminoso sequestrava crianças e as aprisionava em um porão com o intuito de castigá-las até a morte. Ao sequestrar o jovem Finney, as coisas começam a mudar para The Grabber, uma vez que a vítima se comporta diferente das demais crianças. Um dos motivos é o velho telefone preto que está preso na parede do cárcere. Na teoria, o objeto não deveria funcionar, mas acaba tocando diversas vezes. Dessa forma, Finney se comunica com as antigas vítimas e consegue criar soluções para escapar de seu antagonista. Enquanto tudo isso se desenrola, a irmã de Finney passa a fazer suas próprias buscas pelo irmão, uma vez que ela tem sensações e sonhos místicos que podem ajudá-la a encontrá-lo.
O filme carrega alguns clichês, que quando bem trabalhados, funcionam para envolver o público em uma história agoniante. O uso desses ditos clichês, não apenas funcionam bem, mas também são usados com maestria, mostrando que a arte de contar histórias é algo que se lapida com o tempo. O novo suspense sobrenatural do diretor Scott Derrickson, consegue se sobressair por usar velhos elementos para entregar algo inovador e diferente.
O diretor já carrega em seu currículo alguns filmes de terror super bem quistos pelo público e pelo mercado. Foi ele quem comandou “O Exorcismo de Emily Rose” (2005) – considerado por alguns o melhor filme de exorcismo desde o icônico “O Exorcista” (1973). Além disso, ele tem no currículo o terror “A Entidade” (Sinister), que foi eleito pela ciência como o terror mais assustador de todos os tempos. E seu mais novo lançamento contribui para essa coleção de sucessos que fazem a nossa espinha arrepiar.
O diretor em criar uma atmosfera interativa e assustadora para a audiência, além de conseguir logo nos primeiros minutos criar personagens interessantes e aprofundados que geram empatia com o telespectador. E aqui abro espaço para comentar como a atmosfera inicial me chocou, por se apresentar uma narrativa leve, envolvente e que te faz perguntar - Onde o terror vai começar? E a resposta veio na sequência, com Bruce, um dos personagens, andando de bicicleta pela vizinhança e cumprimentando pessoas; bem embaixo dos olhos do público, envolto de uma aura de inocência, somos testemunhas pela primeira vez do terror que vai apavorar quem estiver sentado na cadeira do cinema.
E grande parte da veracidade e urgência do filme vem, em partes, do talento de seu elenco. Mason Thames entrega uma atuação angustiante como o jovem Finney, e consegue passar todo o desespero do personagem através de suas expressões bastante emotivas. Ethan Hawke, em mais um trabalho com o diretor, entrega uma atuação poderosa e aterrorizante como o vilão, e consegue aterrorizar a audiência mesmo usando uma máscara sinistra boa parte do filme. Outra atuação honrosa é de Madeleine McGraw, que vive Gwen uma garota sensitiva e com uma personalidade forte, entregando momentos de alívio e tensão para o público, ganhando grande destaque no filme com uma personagem extremamente interessante e poderosa.
Produzido pela Blumhouse, “O Telefone Preto”, consegue ser um filme de suspense aterrorizante e instigante que consegue te envolver e entreter por 1 hora e 43 minutos. Ele funciona muito bem a que se propõe. O filme cria uma atmosfera que te faz ter medo não do sobrenatural, mas do real, onde a maldade existente é o suficiente para te fazer angustiar e se contorcer na cadeira.
O filme estreia dia 21 nos cinemas, e se eu fosse você corria para garantir um espaço nas salas de cinema, esse é o tipo de filme que você precisa viver a experiência que só uma grande tela e o cheiro de pipoca ajudam a criar.

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